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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Procissão aos Enfermos

Por iniciativa do Reverendo Prior da Matriz de Ponta Delgada, Pe. Nemésio Medeiros, é restaurada a tão rica tradição de Páscoa da Procissão aos Enfermos, a qual, visitando doentes e acamados, entre tapetes de veneração ao Santíssimo Sacramento, cristianiza, com fumos do incenso, este suave odor da Primavera.
É no próximo Domingo, IV Domingo Pascal, dia 29 de Abril, com o seguinte Programa:
15.00 – Procissão aos Enfermos – Sai da Igreja de Sant’Anna, passando nas Ruas da Arquinha, Amorim, Passal, Margarida de Chaves, e Água, até à Matriz;
17.00 – Missa Solene na Igreja Matriz, cantada pela Capela do Coro Alto.
A Procissão sai da Ermida, como não conseguiu fazer naquela última tarde de Enfermos, em 1987, pois que quase ninguém sequer ali compareceu, interrompendo tradição de muitos anos.
Mas fá-lo-à certamente passados 25 anos dessa Páscoa, pois que o pêndulo da história faz com que os tempos se intercalem entre revolução e regeneração...
E quando os tempos começam a ser de regeneração, ainda que nos primeiros anos só entre uma minoria, as tradições voltam naturalmente porque o homem está mais desperto para o rito e o Sagrado. 
E tudo se reconstrói, embora sabendo que, quando ao fim de algumas décadas estiverem repostos valores e ordem, tudo voltará ao início!

O homem espelha assim, no ciclo da história, a sua própria natureza: cair e levantar. Falhar e recomeçar. Perder-se e reencontrar-se. O permanente regresso...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Capela do Coro Alto da Matriz de Ponta Delgada



Missa Solene Dominical - Cinco da tarde
Ensaios: Domingos às 16.15.


“No mar vivem os peixes e silenciam. Os animais sobre a terra gritam, mas os pássaros, cujo espaço vital é o céu, cantam. Do mar é próprio o silenciar, da terra o gritar e do céu o cantar. O homem, porém, participa de todos os três: ele carrega em si a profundidade do mar, o peso da terra e a altura do céu; por isto são suas as três propriedades: o silenciar, o gritar e o cantar. Hoje (...) vemos que ao homem privado de transcendência permanece somente o gritar, porque deseja ser somente terra e procura transformar também o céu e a profundidade do mar em sua terra. A verdadeira liturgia, a liturgia da comunhão dos santos, devolve-lhe a sua totalidade. Ensina-lhe novamente o silenciar e o cantar, abrindo-lhe a profundidade do mar e ensinando-o a voar, o ser do anjo; elevando o seu coração, faz ressoar de novo nele aquele canto que se havia adormecido. Ou ainda, podemos dizer que a verdadeira liturgia se reconhece exactamente no facto de que esta nos liberta do agir comum e nos restitui a profundidade e a altura, o silêncio e o canto. A verdadeira liturgia reconhece-se no facto de ser cósmica, e não sob a medida de um grupo. Ela canta com os anjos. Ela silencia com a profundidade do universo à espera. E assim ela redime a terra”.
Joseph Ratzinger, in Cantate al Signore un Canto Nuovo, pp. 153-154.


112. “A tradição musical da Igreja é um tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte…”
116. “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar”.
118. “Promova-se muito o canto popular religioso…”
36. “Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos…poderá conceder-se à língua vernácula lugar mais amplo … em algumas orações e cantos…”
In Constituição A Sagrada Liturgia, Concílio Vaticano II


Missa de Angelis – gregoriano e polifonia de Mario Soroldoni; Pie Pelicane; Tolite Hostias– Saint- Saens; Gloria Patri – Saint-Saens; Ave Verum – Mozart; Canticorum – Haendel; Coro 12 – Haendel; Aleluia – Haendel; Gloria – Vivaldi; Te Deum – Bodese; Te Deum – Perosi; Requiem – Perosi; Ave Maria – Perosi; Ave Maria – Witt; O Sanctissima; Adeste Fideles; Pastoral – Oratória de Maendelson; Panis Angelicus – C. Franck; Adoro-Te; Parce – Menagali; Miserere…


Mestre de Capela: Paulo Domingos Alves de Albergaria Botelho de Gusmão

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Senhora Sant'Anna 2011

13 De Julho – Quarta-feira
20.00 – TRÍDUO - Missa cantada.

14 De Julho – Quinta-feira
20.00 – TRÍDUO - Missa cantada.

15 De Julho – Sexta-feira
20.00 – TRÍDUO - Missa cantada.
21.00 – Arraial com bazar e barraquinha com petiscos, junto à Igreja de Sant’Anna.
23.00 – SAÍDA das Imagens para a Arquinha, onde serão ornamentados os andores.

16 De Julho – Sábado
20.00 – REGRESSO das Imagens: Saída da Ermida, Rua da Arquinha, Travessa da Arquinha, Rua do Amorim, Rua de São Gonçalo e Rua José do Canto, acompanhado da Banda Lealdade.
21.00 – TE DEUM, cantado pela Capela do Coro Alto da Matriz.
21.30 – Arraial com a Banda Lealdade.

17 de Julho – Domingo
11.00 – Procissão – Sai da Ermida, desce a Rua do Frias e sobe Sant’Anna, pela Cícero Medeiros. 12.00 – Missa Solene, presidida pelo Rev. Pe. Pedro Maria Tavares Carreiro, Vigário Paroquial da Matriz de Ponta Delgada, e cantada pela Capela do Coro Alto da Matriz de Ponta Delgada.
18.00 – Arraial.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Santíssima Trindade 2011

12 de Junho – Domingo de Pentecostes
17.00 – MISSA de Pentecostes com coroação das crianças que o pretendam.
18.00 – PROCISSÃO DA MUDANÇA das Insígnias do Divino Espírito Santo da Igreja Matriz para a Rua do Frias.
Recitação do TERÇO.

13 a 17 de Junho – Segunda-feira a Sexta-feira
20.30 – Recitação do TERÇO.

18 de Junho – Sábado
20.30 – Recitação do TERÇO.
BENÇÃO DA DISPENSA.

19 de Junho – Domingo da Santíssima Trindade
11.00 – PROCISSÃO– Ruas: Frias, d’Água, Valverde, Largo da Matriz.
12.00 – MISSA SOLENE com Coroação.
13.00 – PROCISSÃO – Rua Nova da Matriz, Pedro Homem e Frias.
SOPAS DO ESPÍRITO SANTO.

O Mordomo. Gonçalo Madeira de Bettencourt Botelho de Gusmão

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Patrono da Cidade

Bem diziam os antigos que Janeiro é mês santeiro. Dos mais populares desta quadra pós- natalícia, São Gonçalo abre a época no dia 10, Santo Amaro e Santo Antão intermedeiam a 15 e a 17, e São Sebastião, o soldado romano invocado contra a peste, tal como aconteceu em Ponta Delgada, nos anos 1523 a 1531, em que a população formulou um voto de levantar um templo maior no local da pequena Ermida da então Vila, quando o flagelo acabasse, é festejado a 20 de Janeiro.
Terminada a peste, logo os habitantes de Ponta Delgada tomaram São Sebastião por seu padroeiro, iniciando a construção de uma Igreja maior.
Desde então, o Município encarregou-se de promover as festividades em honra do Patrono da Cidade, com Missa Solene, seguida de Procissão, onde se incorporavam as autoridades, a oficialidade, o senado, uma força militar e a respectiva Banda.
Por deliberação de 18 de Janeiro de 1578, pagava também a Câmara, das suas rendas, uma dança e folia na festa do excelso Padroeiro, que grande era a devoção que lhe tinha este povo e a popularidade desta festa entre as gentes da cidade, que, logo na véspera do dia vinte, saiam à rua em descantes, cantando, ao som de violas e guitarras, as conhecidas sebastianas.
E rezam também as crónicas que na característica procissão da Cidade integravam-se 23 andores, fechando com o do Glorioso Mártir, profusamente ornamentado, em cujo andor, levado por quatro artilheiros, lá ia a mais bela e farta das laranjeiras da época, como hoje, na Capela-Mor.
Percorria toda a cidade, em percurso semelhante ao do Senhor, sendo o venerando soldado efusivamente saudado, com vinte e um tiros de peça, ao passar no castelo de São Brás.
Mas veio a República e vieram as proibições de exteriorização de fé, para não ofender a minoria laica que entretanto foi crescendo como a erva à solta. E lá se foi a Tradição. Parte da tradição. A principal continua viva. No Domingo seguinte ao dia 20 há Missa Solene, às cinco da tarde, na Igreja Matriz de Ponta Delgada, onde toma assento a Senhora Câmara, o Reverendo Clero e a cristandade da secular cidade.
Nas velhas casas, a fruta do dia, que outrora era dada aos amigos ou, por vezes, festivamente atirada, à saída da Igreja, a laranja, ornamenta o santinho e dá o requintado sabor ao bolo típico da festa que, no recato do lar, a tradição vive e tempera a vida e enche a alma, pois que o corpo, em dia de batalha, cá em casa se fica por umas boas tripas à moda do norte...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sant'Anna dia 18 de Julho

Festas de Sant'Anna 2010

15 De Julho – Quinta-feira
20.30 – Tríduo com Missa cantada.

16 De Julho – Sexta-feira
20.30 – Tríduo com Missa cantada.
21.00 – Mudança das Imagens para as casas onde serão ornamentados os andores.
21.30 – Arraial.

17 De Julho – Sábado
18.30 - Confissões
20.00 – Regresso das Imagens à Ermida.
20.30 – Tríduo com Missa cantada.
21.00 – Homenagem a Sant’Ana pela Banda Lealdade.
Entrega das ofertas para arrematar.
21.30 – Arraial com Concerto pela Banda Lealdade, arrematações, bazar e barraquinha com petiscos, junto à Ermida de Sant’Anna.

18 de Julho – Domingo da Festa
11.30 – Procissão – Sai da Ermida, desce a Rua de Sant’Ana, pelos prédios, e sobe a Rua do Frias.
12.00 – Missa Solene, com pregação pelo Reverendo Pe. Dr. António Saldanha e Albuquerque, oficial da Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano.
19.00 – Arraial.

A Tradição de Sant'Anna

Dia 18 de Julho, Domingo anterior ao dia 26 de Julho, têm lugar as Festas em Honra da Senhora Sant’Anna. Recuperando tão antiga tradição da Paróquia, com alguns interregnos no século XX, os moradores das Ruas do Frias e de Sant’Ana promovem a festa de Verão da comunidade de São Sebastião.
A Ermida de Sant’Anna foi construída, pelo licenciado António Frias, no final do século XVI. Ao seu lado encontram-se as ruínas do antigo Recolhimento construído pouco tempo depois também por António Frias. Ali estiveram os frades agostinhos até à construção do Convento da Graça. Quando dali saíram, o Licenciado Frias e a sua mulher, padroeiros dos Conventos de Santo André e de São João, fundaram então o Recolhimento para os parentes mais pobres. A 10 de Agosto de 1624, Frias escreveu o respectivo regulamento e deixou parte dos seus rendimentos à Instituição, no seu testamento de 21 de Novembro desse ano.
António Frias vivia ao cimo da Rua que lhe tomou o nome, onde hoje está a estátua de José do Canto, construindo assim a Ermida ao lado da sua casa, sendo que nesse tempo não existia a actual Rua de Sant’Anna, aberta apenas após a extinção do Convento dos Jesuítas, nas respectivas terras.
Passados cem anos a Ermida estava decaída e necessitando de alfaias, conforme consta das visitas que lhe foram feitas. Restaurada então nos inícios de setecentos, e porque a Paróquia de São Sebastião estava com muita população, foram encetados esforços para a criação do Curato de Sant’Anna, o que veio a acontecer por Alvará Régio de 26 de Outubro de 1753, embora já tivesse Cura desde 1730.
As festas de Sant’Anna vêm assim de tempos imemoriais, com “uma linda procissão, com arraial e fogo preso, organizada pelos paroquianos da parte alta da cidade”, até à volta de 1910, conforme descreve o anuário Micaelense e apenas com a celebração da Missa Solene e arraial até 1989.
Festejado em Janeiro São Sebastião, o Santo Padroeiro da Matriz, chegados a Julho, os paroquianos subiam à chamada zona alta, ao início só com a Rua do Frias e a Ladeira de Sant’Ana e, já mais tarde, com a Rua de Sant’Anna, para as Festas em honra da Mãe da Mãe de Deus, venerada com grande devoção na sua Ermida.
Festejar Sant’Anna é celebrar o encontro entre Deus e os homens através daquela que gerou a Virgem Santíssima, escolhida para Mãe do próprio Deus, na ternura própria que recai do seu olhar de avó. As Festas são, por isso, um momento íntimo de encontro com Deus; uma demonstração pública da nossa identidade cristã; um espaço privilegiado para reunirmos as nossas famílias nestas Ruas da Cidade; um momento anual de encontro e partilha da nossa comunidade.
O Tríduo, com Missa Cantada, na Quinta, Sexta e Sábado, é o início e a preparação da Festa. Terminado o Tríduo de Sexta-feira, o andor com a Imagem de Sant’Ana com a Virgem Maria e o andor de S. Joaquim vão para as casas dos paroquianos que, esmeradamente, os ornamentam. No Sábado regressam à velha Capelinha do cimo da cidade, para o último tríduo.
Nas noites de Sexta, Sábado e Domingo têm lugar os serões à volta da Ermida, em jeito de arraial, com o típico bazar, a barraquinha dos petiscos, arrematações e os sempre apreciados acordes da Banda Lealdade.
No Domingo, o Dia da Festa, os sinos rasgam o silêncio da manhã, anunciando a saída solene da Senhora Sant’Anna com a Virgem ao colo e o andor de São Joaquim a acompanhá-las. Desce a Rua que tem o seu nome, por entre os prédios, e sobe a Rua do Frias, em sinal de caminhada para a Missa de Festa, centro da vida cristã.
A participação na Festa é a principal ajuda que cada um é convidado a dar, havendo depois muitas outras formas de colaborar: seja com flores; com prémios para o bazar ou para as tradicionais arrematações; ou, para aqueles que o desejam, com a colaboração para as despesas fazendo a sua oferta nos dias da Festa.
Repicam os sinos: cristãos engalanados, gente dessas ruas em volta, crianças tão contentes, vizinhos em festa, todos acorrem à Ermida, despertando, no silêncio da cidade que corre, o seu terno coração de aldeia…

segunda-feira, 17 de maio de 2010

2006

2008

2009

Programa das Festas na Rua do Frias.

Domingo de Pentecostes, 23 de Maio
17.00 Missa cantada pela Capela da Matriz, com coroações.
18.00 Procissão da Mudança da Coroa do Espírito Santo da Igreja para a Rua do Frias.
18.30 Recitação do Terço.

Segunda-feira, 24 de Maio
20.30 Recitação do Terço.

Terça-feira, 25 de Maio
20.30 Recitação do Terço.

Quarta-feira, 26 de Maio
20.30 Recitação do Terço.

Quinta-feira, 27 de Maio
20.30 Recitação do Terço.

Sexta-feira, 28 de Maio
20.30 Recitação do Terço.
Entrega das ofertas de Flores e verduras.

Sábado, 29 de Maio
Entrega das ofertas de arroz doce.
20.30 Recitação do Terço.
Bênção da Dispensa.

Domingo da Santíssima Trindade, 30 de Maio
11.00 Cortejo Processional – Ruas: Frias, d’Água, Valverde, Largo da Matriz.
12.00 Missa Solene com Coroação, cantada pelo Coro Litúrgico da Matriz.
13.00 Cortejo Processional – Ruas: António José de Almeida, Machado dos Santos, Pedro Homem, Frias.
14.00 Sopas do Espírito Santo.

A Festa da Santíssima Trindade na Rua do Frias

Em 11 de Junho de 2006, Ano Pastoral do Domingo, dia do Senhor, relembrando aos cristãos a sua importância no encontro com Deus, com a família e com a comunidade, enquanto dia de júbilo e de vida, foi restaurada, no Domingo da Santíssima Trindade, a Festa em honra do Divino Espírito Santo da Matriz de Ponta Delgada, na Rua do Frias, aberta a toda a comunidade de São Sebastião.
Procurando cingir-se ao coração da Festa, o Espírito Santo, dela consta a oração do terço desde o Domingo de Pentecostes, dia em que a imponente Coroa, que se encontra na nossa Igreja, que outrora pertenceu ao chamado “Império dos Nobres”, o Império do centro desta cidade, é trazida para casa dos Mordomos que a recebem, ornamentam e veneram.
No Domingo da Trindade, após na véspera terem sido benzidas a carne, o pão, a massa e o arroz doce que servirão a partilha do almoço comunitário, saem as Insígnias do Divino Espírito Santo em cortejo processional até à Igreja Matriz, participando na Missa Solene do Meio-Dia, onde é coroada uma criança, nesse tão simbólico rito introduzido em Portugal por D. Dinis e pela Rainha Santa Isabel.
Regressando em Festa, a tarde é para as Sopas do Espírito Santo, em mesa corrida na Rua, aberta a todos, partilhando assim o trabalho e a oferta de muitos…
Anos após ano, as pessoas têm primado pela participação, num momento anual de encontro de vizinhanças, primando em ornamentações que dignificam a veneração à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, tão querida dos açoreanos.
As festas do Espírito Santo na ilha de São Miguel tiveram início com o terramoto de 1522 que arrasou Vila Franca do Campo e, por virtude da epidemia de 1673, o povo micaelense, implorando a misericórdia divina, acorreu ao Senhor Espírito Santo, pedindo aos fidalgos que emprestassem as suas Coroas para as colocarem em cima de estrados forrados das melhores colchas.
Em Ponta Delgada, pelo fim da peste, iniciou-se também uma sumptuosa Festa, à qual concorriam as pessoas mais nobres da cidade – por isso ficou a chamar-se a Festa do Império dos Nobres. Logo na Segunda-feira da Pascoela, precedida de uma ruidosa e alegre folia na véspera para afugentar "as malignas enfermidades", era celebrada Missa cantada ao Divino Espírito Santo, na Capela de São Roque da Igreja Matriz, imagem que está associada a esta Festa. Foi nessa primeira Festa, a 9 de Abril de 1673 que, surpreendendo todos os que ali estavam, apareceu uma singela pomba branca que a todos as cerimónias pacientemente assistiu, desaparecendo com terna expressão de contentamento logo depois de terminado o Ofício, ficando essa micaelense expressão de “Festa da Pombinha”.

O Regulamento do Império da Santíssima Trindade da Matriz de São Sebastião

Reavivando as profundas e genuínas tradições da Festa em honra do Divino Espírito Santo da comunidade paroquial da Matriz de São Sebastião da cidade de Ponta Delgada;
Restaurando-se e congregando o Império da Pascoela ou Império dos Nobres, desta cidade, fundado em 1673, e o Império da Ascensão, da antiga zona alta da Paróquia;
Devolvendo ao culto do Divino Espírito Santo o seu cunho espiritual e comunitário;
Atribuindo, à festa do Divino Espírito Santo, a solenidade que lhe é devida;
Dignificando, assim, o Domingo, dia do Senhor, relembrando aos cristãos a sua importância no encontro com Deus, com a família e com a comunidade, enquanto dia de festa e de vida;
Procurando a Festa ser, no coração da cidade, um momento de partilha da comunidade paroquial;

Do Império da Santíssima Trindade

1º É instituído o Império da Santíssima Trindade da Matriz de São Sebastião, adiante designado por Império da Santíssima Trindade.

2º O Império da Santíssima Trindade tem por fim o culto do Divino Espírito Santo.

3º A Festa em honra do Divino Espírito Santo, do Império da Santíssima Trindade, terá lugar na zona da Paróquia onde se realizavam os antigos Impérios da Pascoela e da Ascensão, ou seja, na zona baixa da cidade e na antiga zona alta, compreendidas estas entre a Rua de Santa Luzia e a Rua dos Mercadores, a sul; e a Ermida de Sant’Ana e a Rua do Contador, a norte.

Do Culto ao Divino Espírito Santo

4º As insígnias do Divino Espírito Santo utilizadas na Festa da Santíssima Trindade são a Coroa e a Bandeira da Igreja Matriz.

5º As insígnias do Divino Espírito Santo serão mudadas, para casa dos Mordomos, no Domingo de Pentecostes, após a última Eucaristia celebrada na Igreja Matriz.

6º As insígnias do Divino Espírito Santo ficarão expostas e ornamentadas, em casa dos Mordomos, até ao Domingo da Santíssima Trindade.

7º Do Domingo de Pentecostes às primeiras vésperas da Santíssima Trindade será recitado, em cada dia, o terço, aberto à participação dos fiéis, no espaço em que se encontrarem as insígnias do Divino Espírito Santo.

8º No Domingo da Santíssima Trindade, as insígnias do Divino Espírito Santo serão levadas em procissão à Eucaristia Solene da Igreja Matriz.
9º O cortejo processional será aberto pelos acólitos; seguindo-se as senhoras; a Bandeira do Divino Espírito Santo, levada pelos Mordomos do ano anterior; os homens com as opas; as crianças; e a Coroa, levada pelo sacerdote que presidirá à Eucaristia, e ladeada pelos mordomos.

10º Na Eucaristia Solene será coroada uma criança, convidada pelos Mordomos, a qual acompanhará o sacerdote na celebração e em todo o cortejo processional.

11º Terminada a Eucaristia, o cortejo processional regressará a casa dos Mordomos, acompanhado de toda a comunidade, sendo então a Bandeira do Divino Espírito Santo levada pelos Mordomos do próximo ano.

Da festa comunitária

12º Regressada a procissão a casa dos Mordomos e expostas as insígnias do Divino Espírito Santo à devoção dos fiéis, haverá um almoço comunitário, com Sopas do Espírito Santo.

13º Após o almoço deverão ser desenvolvidas actividades que fomentem o encontro e o franco convívio entre os paroquianos e que se enquadrem no espírito solene e sereno da Festa.

Dos Mordomos e da Organização da Festa

14º Os Mordomos são a família organizadora da Festa.

15º Os Mordomos são escolhidos pelo Pároco, ouvidos os Mordomos anteriores, sendo anunciados no fim da Missa Solene da Santíssima Trindade do ano anterior.

16º Os Mordomos deverão ser escolhidos de entre as famílias com vivência cristã, residentes na Paróquia.

17º Os Mordomos farão a recolha das dádivas para a festa, as quais só poderão ser feitas em géneros.

18º Aos Mordomos cabe o encargo de pedir o necessário apoio logístico e requerer as respectivas licenças.

19º Os objectos doados ao Império são propriedade da Fábrica da Igreja e deverão ser inventariados em livro próprio.

20º Os objectos do Império ficam à guarda dos novos Mordomos, logo após a Festa de cada ano, não devendo ser utilizados para outro fim.

Disposições Finais

21º A interpretação e a integração de lacunas deste Regulamento serão feitas pelo Pároco, ouvidos os antigos Mordomos, dentro do espírito do que aqui se dispõe.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Encontro 2010

Assim se chama o novo blogue do Padre Nemésio Medeiros, Prior da Matriz de Ponta Delgada. Actualizado quase diariamente com reflexões muito actuais sobre a nossa vivência cristã e colectiva, merece a visita de quem gosta de ver o mundo pela positiva. Aqui fica a nossa saudação pela oportuna iniciativa!

http://www.encontro-2010.blogspot.com/

terça-feira, 9 de junho de 2009

Procissão do Santíssimo.

Quinta-Feira, dia do Corpo de Deus, a Procissão do Santíssimo volta a percorrer as artérias da Cidade de Ponta Delgada, saindo da Igreja Matriz após a Missa de Festa, às cinco horas.
Este ano, e como é agora hábito de três em três anos, subirá pela Rua do Frias até Sant'Anna, descendo por esta até à Matriz.
Após a magnífica Festa do Espírito Santo de Domingo passado, a zona alta da Cidade prepara-se agora para receber dignamente a solene passagem do Santíssimo Sacramento.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

No 30º Dia do Padre Ribeiro.

Sexta-feira, às 18.30, na Matriz de Ponta Delgada, é celebrada Missa por alma do seu antigo Prior, Pe. José Ribeiro. No Domingo, após a Missa do Meio-dia, a Comunidade sai, rumo ao Cemitério, para aí colocar a placa em memória deste grande sacerdote.
Homem de elevada cultura e piedade, era também pessoa de refinado sentido de humor, o que contagiava de alegria quantos o rodeavam.
Lembrei-me daquele ano em que, tendo mandado, ao meu estimado Padrinho, postal de Natal, feito em fotografia de família com os nossos filhos mais velhos, recebi de resposta, em fotografia do Monsenhor: "Não posso enviar-lhe uma fotografia rodeada de rebentos filhos porque os meus filhos são de ordem espiritual e já são tantos que não tenho fotografia de todos".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Novo site da Matriz de Ponta Delgada

Já está disponível o novo site da Igreja de São Sebastião, Matriz de Ponta Delgada, com toda a actividade da Paróquia, cuja Igreja Mãe é, de longa data, aberta à cidade e à Ilha. Daí o interesse redobrado desta iniciativa que possibilita assim, a todos quantos frequentam a Matriz, ter acesso a todas as informações da vida paroquial. Uma iniciativa que muito deve ao seu actual Prior, Pe. Nemésio Medeiros, que muito tem dinamizado a vida desta velha comunidade do coração da urbe.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Ao Monsenhor José Ribeiro.

Aqui fica este belíssimo texto da autoria de João Bento Sampaio.

Viagens no Tempo

Cidadãos do Céu

Bebeu o cálice do Senhor e tornou-se amigo de Deus.

Perguntem-me quem era o menino que subia para cima de uma cadeira e, já possuído da miraculosa e amorável semente, anunciava a quantos os que em dia de matança sarilhavam lá por casa, “escutem todos que eu vou dizer um sermão!...”. O catraio, um franzino de olhar doce mas arguto, ainda não satisfeito, mais alto queria parecer e trepava para cima da amassaria, “oiçam todos, isto é um sermão!...”, e punha-se a deslindar a palavra de Deus que cedo recebera dos seus. Ah, pois é, quem era o menino, pois... era tão-somente o José.Esse menino – uma graça dos céus que depressa viu desmoronar-se-lhe o cunhal da casa e logo a primeira empena cedeu e ruiu – olhou a parede mestra que sobrava e fez-se gente de palmo e meio. Como lhe prometera a boa semente, cresceu, e sempre dando nas vistas deixou os nevoeiros da sua terra, desceu à cidade, logo ali, ficando-se naquele seu jeito de José, a aclarar os horizontes do saber. Assombrado com o conhecimento das coisas – teoremas e poemas magníficos, faiscava-lhe a palavra dos clássicos – ao José faltava alargar o leque das suas amizades para lá dos que com ele andavam na Casa de Antero – e que amizades?... E o tempo mais que corria, voava para um rapaz que ainda almejava mais do que aquilo que a eloquência dos compêndios lhe iluminava. Um dia – e todos temos que trilhar os atalhos do porvir – o José riscou, não lhe ocorria o mais ligeiro senão, “minha mãe, o que eu mais gostava...”, quedou-se a ver se a mãe lhe adivinhava o intento, “... era ir para o seminário”, e os dois num consolo de felicidade, “querido filho...”.Era já ponto assente que naquele rapaz caíra a tal semente prodigiosa que ninguém duvidava, mas os da terra – enredados com querelas de extremas e demandas por uma qualquer rixa que crescera por uns copos escusados –, concordaram com o velho regedor, “oh, o José dava um grande advogado...”, e ala mais um copo. Outros, maravilhados com o filho da vizinha, “e também um doutor de gente...”. e que mal havia nisso – advogado ou doutor de gente?Nenhum.Estava na hora do filho prodígio mostrar à terra o seu destino. Viram-no num adeus caloroso acenar aos que lhe auguraram uma carreira superior, e o José rumou a Angra. Depressa correu o tempo atrás do tempo numa estonteante aventura que faltava ao José para beber o cálice do Senhor e tornar-se um dos grandes amigos de Deus.E esse foi o grande Amigo de todos, da caminhada de esperança que imprimiu à cidade, passeando-se de bondade, “vem cantar para o nosso coro”, e a resposta, “eu, senhor padre...”. A amenidade do seu carácter transbordava de amor, “cantas num coro de elite...”, e o seu olhar doce, com aqueles reparos brandos, “o coro da nossa igreja não dá viagens... vem para a gente”. Alguns escutaram-lhe a doçura da voz e tornaram-se amigos do coro e sobremaneira do nosso querido padre José Ribeiro, ah, o monsenhor...Essa propensão para pastor das coisas de Deus foi o que todos viram no tal menino que aproveitava o ajuntamento em dia de matança, “escutem, vou dizer um sermão!...”. E ele, o José, despido de honrarias, foi o que se viu – um dos maiores oradores sacros do seu tempo.Não corria pela fama dos púlpitos, não. Se ficou pelas sacras tribunas alguma erudição, para logo se esquecer o vigor do verbo, alguém, certamente à socapa, gravou-lhe um sermão – o do Senhor Santo Cristo. Esse alguém, à saída da missa do meio-dia da minha Ponta Garça, era um parente meu – o João alfaiate – girando na sua casa de pasto entre uns ricos petiscos da sua Ermelinda e uns copos da sua vinha, ali à Mendonça, “agora, não quero aqui barulho”, e lá rodava uma vez mais e todos os domingos à mesma hora, a cassete com o sermão da segunda-feira do Senhor. Mesmo em frente lhe ficava a cocheira do senhor Josezinho Caetano, e deliciavam-se com a retórica tamanha do padre José os que acabavam de perder uma partida de sueca, “mais jogo menos jogo...”, puxavam de um cigarro relaxante, “isso dá um toque de chorar...”, e viam-se rolar lágrimas esquivas por tanta dor consentida pelo Altíssimo Amigo do padre José Ribeiro.“Aguenta-te para o Rollo dos sacramentos...”, preveniu-me um amigo no meu Curso de Cristandade, , “porquê?’, e fiquei-me à espera, “ele estende-se...”. Realmente, o padre José Ribeiro ia passar das marcas...Cidadãos do Céu vão sendo cada vez mais escassos na terra dos vivos e que deles bem mais se precisava – coisas minhas... O tal menino, em cima da cadeira, trepou o mais que pôde e empoleirou-se na amassaria, excedeu-se, passou das marcas na mais rara e elevada eloquência – que pena, foram só cinco horas.