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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

As Festas do Patrono da Cidade.

Já diziam os antigos que Janeiro é mês santeiro. Dos mais populares desta quadra pós natalícia, São Gonçalo abre a época no dia 10, Santo Amaro e Santo Antão intermedeiam a 15 e a 17, e São Sebastião, o soldado romano invocado contra a peste, tal como aconteceu em Ponta Delgada, nos anos 1523 a 1531, em que a população formulou um voto de levantar um templo maior no local da pequena Ermida da então Vila, quando o flagelo acabasse, é festejado a 20 de Janeiro.
Terminada a peste, logo os habitantes de Ponta Delgada tomaram São Sebastião por seu padroeiro, iniciando a construção de uma Igreja maior.
Desde então, o Município encarregou-se de promover as festividades em honra do Patrono da Cidade, com Missa Solene, seguida de Procissão, onde se incorporavam as autoridades, a oficialidade, o senado, uma força militar e a respectiva Banda.
Por deliberação de 18 de Janeiro de 1578, pagava também a Câmara, das suas rendas, uma dança e folia na festa do excelso padroeiro, que grande era a devoção que lhe tinha este povo e a popularidade desta festa entre as gentes da cidade, que, logo na véspera do dia vinte, saiam à rua em descantes, cantando, ao som de violas e guitarras, as conhecidas sebastianas.
E rezam também as crónicas que na característica procissão da Cidade integravam-se 23 andores, fechando com o do Glorioso Mártir, profusamente ornamentado, em cujo andor, levado por quatro artilheiros, lá ia a mais bela e farta das laranjeiras da época, como hoje, na Capela Mor.
Percorria toda a cidade, em percurso semelhante ao do Senhor, sendo o venerando soldado efusivamente saudado, com vinte e um tiros de peça, ao passar no castelo de São Brás.
Mas veio a República e vieram as proibições de exteriorização de fé, para não ofender a minoria laica que entretanto foi crescendo como a erva à solta. E lá se foi a Tradição. Parte da tradição. A principal continua bem viva. No Domingo, dia 18, há Missa Solene, às 5 da tarde, na Igreja Matriz de Ponta Delgada, onde toma assento a Senhora Câmara, o Reverendo Clero e a cristandade micaelense da secular cidade.
Nas velhas casas, a fruta do dia, que outrora era dada aos amigos ou, por vezes, festivamente atirada, à saída da Igreja, a laranja, ornamenta o santinho e dá o requintado sabor ao bolo típico da festa que, no recato do lar, a tradição vive e tempera a vida e enche a alma, pois que o corpo, em dia de batalha, cá em casa se fica por umas boas tripas à moda do Porto...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nossa Senhora da Conceição.

As ruas da cidade ganham uma nova cor. Não. Não é das luzes de Natal, que essas já lá estão há demasiado tempo e ninguém lhes liga. Ou melhor, ninguém lhes ligou até agora. Chegada a Festa da Senhora da Conceição até parece que, só agora, elas se acenderam. Paira no ar o encanto de quem espera o Natal.
8 de Dezembro. Dia Santo de guarda em honra da Rainha de Portugal, também aqui, nesta cidade, venerada com devoção. A Sua Imagem, trazida da Igreja do Carmo, há mais de 100 anos, em Procissão, para a Igreja Matriz, aqui ficou por "permuta" com a Imagem de Nossa Senhora do Carmo, a pedido dos comerciantes da Cidade que a têm por Padroeira e a queriam, por isso, mais perto de si.
Nos costumes, é por estes dias que se estreiam os presépios nos salões e recantos das velhas casas da cidade.
As Novenas à Senhora decorrem com grande afluência, sendo a última, em Missa Solene, no Domingo às 5 de tarde. A Festa, na Terça-Feira, consta também de Solene Eucaristia, à mesma hora, seguida de pequena Procissão à volta das Portas da Cidade, num gesto simbólico de benção a toda a urbe ali representada na sua entrada nobre.
E, à noite, reza a tradição que é dia das montras. Antigamente o tema obrigatório era o Natal... Sim, o do Nascimento do Menino. Ou a sua Mãe que O espera. Hoje, felizmente, ainda há uns afoitos que o reeditam. São a alma da festa. Nunca chego a saber se são os que ganham os prémios. Sei apenas que são os que ganham a nossa admiração...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quase não vinha...

Em tempo de Festa, um artigo do nosso Bento Sampaio, estes dias em terras do Canadá para lançar a sua segunda colectânea de crónicas “Viagens no Tempo”, no dia dos Açores. A Identidade deseja-lhe a merecida recepção nessas nossas terras de Diáspora!

Planava já o Dakota americano sobre um amontoado de nuvens, vastíssimo e alvo, o sol lá em cima clareava-me as ideias, o tino voltou atrás, vinha eu de Angra.
E fervia-me, ainda fresca, no bar da messe, a fala do comandante, apertado no seu blusão de cabedal verde, “o nosso aspirante Sampaio já tem a sua licença?”.
Num relance passei revista aos meus imagináveis pontos fracos – algum relatório por entregar, as contas da Tesouraria não batiam certo, o major do Comando teria engendrado, à socapa, uma aleivosa intentona, eu sei lá… – estava mesmo bloqueado.
É certo que os dias concedidos eram fora da norma, que não os tinha por direito, mas ao dizer-lhe, “não sei se vou ser mobilizado… meu comandante…”. E, antes de o ser, “gostava de ir à festa…” – sabia lá se, indo, vinha inteiro do inferno de África…
Mas como poderia ter vindo ele com aquela pergunta a despropósito, se eu já tinha o passaporte na mão, e fora ele que o assinara?
Bem, fiquei um pouco desconcertado, e ele, o tenente-coronel Garrido Borges, aliás um simpático militar, apercebeu-se disso, apertou-me a mão, “então, boas festas”.
Foi então que caí em mim… o homem, certamente, contava que eu lhe aparecesse no gabinete para lhe acenar, “quer alguma coisa para a sua Lagoa, meu comandante?”.
Não, penosa gafe minha. Em vez disso, meti-me no bar a cavaquear sobre as grandiosas festas do Senhor Santo Cristo, “são as maiores dos Açores!”, exclamei orgulhoso da minha ilha.
Não estando nenhum rabo-torto por ali, animei-me em descrevê-las. Talvez parecendo uma conversa agastada para alguns, “conte lá as lâmpadas nosso aspirante Sampaio…”, rematou o comandante numa farta gargalhada, apagando o aromático Marlboro, e saiu.
Era novato, pouco rodado em subtilezas de sofá…
Pois é. Levaria ainda algum tempo para perceber que o melhor da conversa é escutar os outros…
E por que não me pusera logo ao fresco? Aí sim, deixava o bar, a conversa bacoca, atravessava a parada, acenando à beleza barroca da igreja de São João Baptista, cruzava a porta-de-armas e adeus Castelo, até à próxima, Angra.
O avião fazia-se agora ligeiro sobre um céu ao contrário, com o manto leitoso de nuvens lá em baixo. Aquele cenário único afagava-me o íntimo – percebem-me?
Divagando sobre a criação das coisas – os campos... o mar... o sol imenso... em diálogos belos, transcendentes... – a viagem amolecia o nervoso miudinho de chegar à ilha do nosso Santo milagreiro.
De facto, há coisas que quase não têm explicação, o mundo a medrar de espanto… excelso, “do you want a cofee?”, despertou-me do devaneio o militar americano.
Na verdade, tudo o que era da terra da América tinha aquele gostinho especial, tão do agrado de todos.
Mas logo voltei ao bar do Castelo e, por mais hinos à venerável imagem que ouvisse, aquela gafe não me largava, atazanando-me o tino durante toda a festa. E que poderia eu fazer?
Dava por mim a contar tudo: as bandas, os padres, as inumeráveis promessas, quantos seriam os bombeiros, e até os foguetes… – parecia possesso.
De volta ao Castelo, trazia uma ânsia de ter aquilo que gostaria – a tal subtileza de sofá… – e fui de carreira ao seu gabinete, “tem aqui um mimo da sua Lagoa, meu comandante”.
Ele desembrulhou o cinzeiro de louça da Lagoa, que lhe trouxera, parecendo acariciá-lo, e olhou-me com ternura, como se fora filho seu, “desculpe lá, nosso aspirante Sampaio, eu notei…você ficou atrapalhado, não foi?”.
Era evidente que tinha revelado algum embaraço, mas consolava-me agora aquela reparação, saboreando o seu coração de barrela.
Mais à vontade, rebusquei uma graça desenjoativa, “não fui capaz de contar as lâmpadas, meu comandante…”. Ele levantou-se em mais uma farta gargalhada, mas logo franziu o sobrolho, “você está mobilizado”. Fiquei sem fala, as canelas fraquejavam-me, “mobilizado? …”. Apertou-me o ombro com enternecimento, “vá lá que é para Angola…”.
E de nada serviu gritar – Angola é nossa, Angola é nossa!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

As Festas do Senhor.

Chegaram as festas. Por toda a Ilha, as festas do Senhor marcam este tempo, envolto em alegria e assente no entusiasmo que só os açoreanos sabem pôr nestas coisas.
Engrandece-se, assim, o ciclo de festas que marca, de forma peculiar, estas nossas ilhas.
Cheira a festa na cidade: misturam-se acordes que enchem de música a harmonia do Campo com vozes açoreanas marcadas pelo timbre da diáspora.
E nem por isso a sumptuosidade da festa exterior ofusca a magnificência da interioridade e do encontro de cada homem e mulher com Deus e consigo próprio. As festas constituem um património de vivência em comunidade, numa demonstração pública de fé.
Só há festa porque os homens crêem que festejam Deus na Terra. Com grande solenidade. Com formas diferentes de encarar o acessório. Dirigida a todos. Mesmo àqueles que, sem terem ainda descoberto a fé, participam na festa por dever de ofício. A ninguém aquele olhar passará despercebido.
As festas do Senhor são a conciliação verdadeira da fé e da tradição. À boa maneira do nosso povo, alheio a delongas filosóficas de fúteis conclusões, mais interessado na busca do verdadeiro Bem do que em reflectir no acessório qual é a verdade mais ao jeito de cada um.
Celebramos Deus exteriorizando a fé na forma como o aprendemos de quem nos antecedeu. Vivendo-a.
No nosso tempo e com aqueles que nos rodeiam.

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Sinagoga de Ponta Delgada em livro.

Está de parabéns José de Almeida Mello pelo sucesso do lançamento do seu novo livro Sinagoga Sahar Hassamain de Ponta Delgada – História, Recuperação e Conservação. A apresentação foi feita com estilo, como é hábito em José Andrade. O livro está à venda por 10,00€, revertendo a receita para as obras, por benemérita decisão da Publiçor.
Um mar de gente acorreu ao Hotel Marina Atlântico, dando assim apoio inequívoco à causa da recuperação da Sinagoga protagonizada por José de Mello. O velho espaço novecentista da Rua do Brum, que deve ser usado como memória e espaço cultural e, como sugeriu Dom Duarte de Bragança, em visita à nossa cidade, conservando a sua vertente como local de oração disponível a todos os crentes da Antiga Aliança que passem por estas ilhas e encontrem assim um local onde recordem Jerusalém.
"Se eu de ti me não lembrar, Jerusalém, fique presa a minha língua, fique presa a minha língua."

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Rua Monsenhor José Ribeiro Martins.

Nos Arrifes, sua freguesia natal, foi descerrada Domingo a placa toponímica em homenagem ao grande vulto do sacerdócio micaelense, Monsenhor José Ribeiro Martins. Por convite do bom amigo José Andrade, ilustre presidente da Comissão de Toponímia, coube-me a honra da intervenção de homenagem ao estimado Padrinho:
“Cravada no alto da freguesia que teve a honra de lhe servir de berço, a nova artéria aqui inaugurada lembrará aos vindouros um dos seus filhos mais ilustres, que, na outra banda da freguesia, à entrada de quem chega da cidade, passou os seus dias da infância à juventude, até daqui ter partido, no final da década de 40, para o Seminário de Angra. (…) Aqui nasceu a 5 de Novembro de 1929. Logo aos quatro anos perdeu o pai, não tendo mais irmãos, vivendo com a sua mãe nessa pequena casa ao início da Saúde.
Essa forma de estar na vida, ao serviço de muitos, mas quase sozinho, acompanhou-o sempre, até hoje, onde, por força da doença, passa os dias num cadeirão, novamente só do mundo e da família. Ou melhor, da família que, após a morte da sua mãe, praticamente não teve. Um dos padres que no seu tempo foi mais público, o grande pregador Padre Ribeiro, nas horas importantes, esteve sempre quase só. Ou melhor, com a sua mãe e com Deus. Foi assim na sua infância, em que a fé lhe foi transmitida pela piedade e bondade maternal. Foi assim na sua Missa Nova, celebrada de modo discreto na própria Capela do Seminário e a que assistiu a sua mãe. É assim hoje após anos de trabalho e dedicação ao Povo de Deus. Ele, a sua mãe retratada ao lado da sua cama e Deus, a Quem dedicou a vida e que nem a doença o faz esquecer. (…)
Em 1955 foi nomeado Pároco, o que lhe deu grande alegria, por poder servir assim as pessoas de perto. Durante 22 anos, desenvolveu grande acção apostólica na sua primeira paróquia, a de Nossa Senhora dos Anjos, na Fajã de Baixo, onde sempre foi muito querido por todos os paroquianos. Contava com emoção o dia da sua chegada de camioneta à Fajã, como que a uma terra distante, entulhada de gente junto à Igreja, à espera do Padre novo, que a tomou por sua e, ainda hoje, se a memória volta, é sempre dela que se lembra, como se aquela edílica terra de 1955 e aquele jovem sacerdote de 26 anos estivessem fadados um para o outro, numa empatia que durará enquanto viva alma existir dessa presença quase perfeita da Igreja entre os homens. (…)
Homem desprendido, pregou nos quatro cantos do mundo português, sem que com isso arrecadasse o que fosse para si. Muito do que recebeu dava aos pobres ou à Paróquia, fosse dinheiro, fossem ofertas.
Em 05 de Novembro de 2005, data do seu aniversário, e ano das suas bodas de ouro, foi justamente homenageado com a Medalha de Ouro do Município, o que, com humildade, aceitou e agradeceu. Mais uma vez, a Autarquia hoje presta-lhe homenagem. Desta vez já não pode aqui estar para aceitar e agradecer. Sei que se, num destes dias, lhe conseguir transmitir esta notícia, irá sorrir e ficar feliz por se lembrarem de si.
Aqui, nos Arrifes, começou a história deste grande homem que serviu o povo micaelense sobretudo na segunda metade do século XX. Aqui, nesta bonita terra, onde, numa rasa campa logo à entrada do Cemitério, descansam em paz os restos mortais do pai que precocemente lhe faltou na infância e da sua amada mãe que sempre o acompanhou, tranquilamente, ao sabor do vento que, aqui do alto, percorre os Arrifes, invade o coração da Cidade e chega, com ternura, à sua Fajã, permanecerá o nome de um grande homem, um dedicado padre, um ilustre cidadão e um saudoso amigo.”

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Viver no centro da cidade.

Para quem sabe usufruir do centro da cidade e aprecia o património, aqui fica uma sugestão na emblemática Rua do Frias. É verdade que corre a crise. Pois é a melhor altura para adquirir. Além do mais, não está restaurada, o que é óptimo, pois está em estado puro.
Ao lado do Museu Armando Cortes Rodrigues, propriedade da família Cogumbreiro, além da casa adquire bons vizinhos. Devia, aliás, estar reservada a gente de bom gosto e feitio.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Aí está a Feira do Livro.

A Feira do Livro, anualmente promovida pela Tabacaria Açoriana é sempre uma boa oportunidade para adquirir, em Ponta Delgada, alguns livros interessantes a preços simpáticos.
A bom preço e de boa qualidade, na encadernação e, acima de tudo, no conteúdo, fica o registo da obra "Nobreza de Portugal e do Brasil" e da clássica colecção azul de Contos Juvenis, de grande valor formativo e de autores reconhecidos como a Condessa de Ségur e Louísa May Alcott, para os mais novos que estão a iniciar o prazer da leitura.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Uma homenagem Justa

São hoje inauguradas, pelo Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, duas Ruas em Ponta Delgada, com a toponímia de D. Carlos e de D. Amélia, os quais marcaram, com a sua visita, a vida da nossa cidade, no início do século XX. Embora que não no centro da cidade, a escolha do Livramento, junto ao emblemático lugar do Botelho, devolve ao local a memória da sua importância na história da cidade e da Ilha.