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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Irró, ó meu Santo Irró

A 1 de Maio, II Domingo Pascal, tem lugar a Festa do padroeiro dos homens do mar, popularmente conhecida por festa do Irró, em honra de São Pedro Gonçalves.
Irró, em alusão ao grito dos homens do mar a puxarem os seus barcos para terra, avenida acima, para serem devidamente ornamentados em homenagem ao Santinho.
No Domingo, sai a Procissão, pelas 15.00, entrando na Matriz de São Miguel para a Missa de Festa, cantada pelo Coro da Prioral Matriz e celebrada pelo conterrâneo Padre Norberto Brum, prosseguindo, por entre magníficos tapetes, de regresso à hoje também sua Ermida que, santamente, divide com Santa Catarina, sua titular, desde que a sua centenária Capelinha, junto à Praia do Corpo Santo, a que deu o nome, foi ao chão, no início do século XX, com o peso do tempo.

Com velas de esperança,
A navegar,
O cais da vida
Buscamos sem cessar.

Ao Porto da Glória
E nas tempestades
Conduz os homens
São Pedro Gonçalves.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Irró, ó meu Santo Irró.

É já Domingo, na velha Capital, a festa de São Pedro Gonçalves, chamada de festa do Irró, em alusão ao grito dos homens do mar a puxarem os seus barcos para terra, avenida acima, para serem devidamente ornamentados em homenagem ao Santinho.
Domingo, sai à Rua a Procissão, pelas 15.00, entrando na Igreja de São Miguel para a Missa de Festa, cantada pelo Coro da Prioral Matriz e celebrada pelo conterrâneo Padre Norberto Brum, prosseguindo, por entre magníficos tapetes, de regresso à hoje também sua Ermida que, santamente, divide com Santa Catarina, sua titular, desde que a sua centenária Capelinha, junto à Praia do Corpo Santo, a que deu o nome, foi ao chão, no início do século XX, com o peso do tempo.

Com velas de esperança,
A navegar,
O cais da vida
Buscamos sem cessar.

Ao Porto da Glória
E nas tempestades
Conduz os homens
São Pedro Gonçalves.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Semana Maior

Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam.
Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquiatatem meam.
Amplius lava me ab iniquitate mea: et peccatto meo munda me.
Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est semper.
Tibi soli peccavi, et malum coram te feci: ut justificeris in sermonibus tuis, et vincas cum judicaris.
Ecce enim in inquitatibus conceptus sum: et in peccatis concepit me mater mea.
Ecce enim veritatem dilexisti: incerta et occulta sapientiae tuae manifesti mihi.
Asperges me, Domine, hyssopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor.
Auditui meo dabis gaudium st laetitiam: et exsultabunt ossa humiliata.
Averte faciem tuam a peccatis meis: et omnes iniquitates meas dele.
Cor mundum crea in me, Deus: et spiritum rectum innova in visceribus meis.
Ne projicias me a facie tua: et spiritum sanctum tuum ne auferas a me.
Redde mihi laetitiam salutaris tui: et spiritu principali confirma me.
Docebo iniquos vias tuas: et implii ad te convertentur.
Libera me de sanguinibus, Deus, Deus salutis meae: et exsultabit lingua mea justitiam tuam.
Domine, labia mea aperies: et os meum annuntiabit laudem tuam.
Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique: holocasutis non delectaberis.
Sacraficium Deo spiritus contribulatus: cor contritum, et humiliatum, Deus, non despicies.
Benigne fac, Domine, in bona voluntate tua Sion: ut aedificentur muri Jerusalem.
Tunc acceptabis sacrificium justitiae, oblantiones, et holocausta: tunc imponent super altare tuum virtulos.
Gloria Parti, Filio, et Spiritus Sancto.
Sicut erat in principo, et nunc et semper, et in saecula saeculorum. Amen

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Um grito de festa.

De "Viagens no Tempo", de Bento Sampaio

Já se vê que o presbítero ficou desolado com o fiasco, “senhor padre, nada de apoquentar, não falta água na fonte…”
Ora, se me doía o coração em ter assistido impotente a toda a Via Crucis daquela semana, e como era inacreditável aceitar e entender, na minha idade de menino, os passos sinistros que o saudoso padre Rei relatava, “Jesus cai pela terceira vez”, e nada podia contra tamanha barbárie, “Jesus é pregado na cruz”, voltava ele mais aluído e contristado.
Lembro-me tão bem da minha revolta contra quem ousara acusar, açoitar, prender e crucificar um Homem bom e generoso, “isso foi mesmo verdade?”, perguntava à minha mãe, colando-me ao seu ouvido, “psiu…”, pedia-me silêncio. Por isso, cantava perturbado, “permiti que eu vos ajude a levar a vossa cruz”, implorando numa igreja lúgubre, cinzenta de tristeza – oh, como tudo estava consumado.
Ainda há uma semana ouvira, “muitos meninos estenderam os seus mantos e com ramos aclamavam…”, à Sua entrada em Jerusalém, numa impressionante euforia, “bendito o que vem em nome do Senhor!”.
Mas é assim, passeou-se o Senhor morto na noite de sexta-feira até ao Calvário, pouco acima da nossa casa, como se aquela tragédia ocorresse no meio de nós. Para cúmulo, o passeio pungente ainda vinha acompanhado da pesarosa marcha fúnebre, arrastando-se a filarmónica entremeada ao som estridente de matracas – que coisa mais funesta.
Mas tinha que acontecer um grito, “logo, quando o sino der meio-dia…”, apregoou o mais velho do rapazio esbaforido da minha vizinhança, e ele mexia-se, inquieto que o cerimonial da Semana Maior chegasse ao fim. E, quando passava o Carlos sacristão para a igreja, “está quase, rapazes…”, anunciou ele sorridente.
Logo ao primeiro toque do sino pequenino, o líder gritou, “aleluia, piãs pra rua!”, e toca de lançar o pião, uns contra os outros, numa resposta pronta e assanhada contra o Belzebu, “morre demónio!”.
Bem, ainda Heandel vinha muito longe de lhe descobrir a beleza barroca da sua magistral oratória “O Messias” – e mesmo que dela soubesse, tampouco tínhamos rádio lá em casa para apreciá-la –, e ouvira falar ao professor Eduíno do coro “Aleluia”, porventura o mais conhecido da grande obra do compositor alemão, ao tempo em digressão por Inglaterra.
Anos depois, pela boca de quem veio a seguir, o padre Gil, “ainda gosto mais do ‘Amen’, é fantástico!”, e grande era o entusiasmo dos dois por recordarem o orfeão do seminário de Angra, regido pelo padre José d’Ávila.
Até que uma vez aconteceu, na Semana Santa, escutar no programa Que quer ouvir? do Emissor Regional, “a pedido do ouvinte… vamos transmitir o Aleluia de Händel”, anunciava Sílvio do Couto.
Chamei minha mãe do quarto da costura e tranquei-me com ela no quarto de jantar. Colei-me ao rádio, e fechei-me todo naquela maravilha, antevendo aquele grito de festa na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém para a celebração da Páscoa.
Pois já era assim o mundo das artes dos outros, duzentos anos antes… Enche o meu peito, num encanto mago, o frémito das coisas dolorosas...
Adiante. O novo padre metera-se em grandes obras, transformando por completo a capela do baptistério com uma enorme pia em pedra basáltica no centro, e um bonito portão em ferro. Tudo cheirava, de facto, a novo, mas à custa da graciosa pia em mármore, sacrificada ao abandono da arrecadação que, muitos anos depois, passou a um lugar condigno na sacristia, e bem.
Já crescido, mexendo-me bem no dentro e fora da igreja, arrebanhou o novo vigário os ratos de sacristia para as cerimónias a decorrer no Sábado Santo, “tu levas o alguidar com a água benta”, disse-me na véspera, “o barro do alguidar joga bem com a pedra…”, discorria assim o padre Gil.
Em casa, já a noite se adiantava, cheirava mesmo a festa com massa fresca, a boa Maria a mexer a panela de papas de arroz para o domingo, e eu a preparar-me para rapá-la.
Apesar disso, comecei a consumir-me com a incumbência do baptistério, não fosse deixar cair a vasilha de barro.
Diferente e novo em ideias, o dinâmico vigário entendeu que o meu tamanho de rente-ao-chão poderia, na verdade, complicar-se, “está bem”, e fui substituído.
No meio dos novos cânticos e rezas, muitos eram os mirones a assistir ao ritual nunca visto. Quando se preparava para derramar a água já benta para dentro da pia, o Teófilo Quental, um rapagão bem espigado, calculou mal a altura da pia, o azar veio juntar-se ao cerimonial, quebrando-se o alguidar no chão e a água benta bem te vi…
Já se vê que o presbítero ficou desolado com o fiasco, “senhor padre, nada de apoquentar, não falta água na fonte…”, e foi esse mesmo o remédio prescrito pelo desenrascado sacristão, “in nomine Patris…”, benzeu o vigário a nova dose...
Santa Páscoa.
P. S. – Um diferente conceito, o da visibilidade, levou outra pia a tomar o lugar da primeira e fora da sua capela original – pois alevá...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Manhã de Páscoa.

Desde a manhã de Páscoa, e enquanto Verão houver, cheira a festa na nossa terra.
Os festivos acordes que rasgam a manhã; a frescura das flores na rua; a solenidade das colchas nas janelas; a fraternidade das mesas postas nas ruas ou nas casas; o branco das crianças em coroações ou o vermelho dos homens em procissões; as bandeiras que enfeitam o dia ou as luzes que festejam a noite; os impérios engalanados ou as Igrejas ornamentadas a preceito; Coros, Irmandades, Mordomias ou Comissões de festas; vozes açoreanas marcadas pelo timbre da diáspora: um Povo em Festa.
Os Açores. Isto sim são eles próprios.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A Cruz, sinal de Vitória.

Celebrar a Páscoa é viver a vitória da vida, cuja salvação da humanidade tem no madeiro da cruz a primeira testemunha. A cruz é, por isso, o símbolo típico do cristianismo, não tanto pelo sofrimento que nela foi infligido, mas sobretudo pela maravilha da salvação, da qual foi instrumento.
É, assim, e antes de mais, sinal de fé. Entre nós, sinal da fé de quase todos os açoreanos e até mesmo de quase todos os portugueses, praticantes ou não.
Mas é também sinal da nossa própria identidade histórica. A cruz é parte integrante e substancial dos nossos usos e costumes, da nossa própria paisagem edificada, das várias formas pelas quais se expressa a arte e até das nossas vivências.
Para poder apagá-la da nossa história seria necessário apagar grande parte da cultura do nosso país e privá-lo de uma característica essencial da sua identidade.
A cruz está estacada na História do homem e do mundo.
Mesmo assim, ignora-se, ou finge-se ignorar, que é a cruz o primeiro e o maior símbolo da libertação do homem.
O laicismo já tem anos suficientes para atingir a sua maturidade. O fundamentalismo anti-confessional deve dar lugar a uma postura aconfessional que, nem por isso, ignore ou hostilize o facto religioso e os seus valores.
Ostentar publicamente a cruz é exprimir a convicção de que todos os homens são iguais e irmãos uns dos outros, crentes e não crentes, judeus e pagãos, negros e brancos.
Cravar no seio do mundo contemporâneo o milenar símbolo da vitória é lembrar aos homens que a razão e o fim da nossa existência é a prática da solidariedade e o amor ao próximo.
Visto assim, dificilmente encontraremos outro sinal que, com tanta força, exprima o valor daqueles que nos rodeiam. Haverá nisso mal?
Uma Santa Páscoa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Semana Santa.

Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam.
Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquiatatem meam.
Amplius lava me ab iniquitate mea: et peccatto meo munda me.
Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est semper.
Tibi soli peccavi, et malum coram te feci: ut justificeris in sermonibus tuis, et vincas cum judicaris.
Ecce enim in inquitatibus conceptus sum: et in peccatis concepit me mater mea.
Ecce enim veritatem dilexisti: incerta et occulta sapientiae tuae manifesti mihi.
Asperges me, Domine, hyssopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor.
Auditui meo dabis gaudium st laetitiam: et exsultabunt ossa humiliata.
Averte faciem tuam a peccatis meis: et omnes iniquitates meas dele.
Cor mundum crea in me, Deus: et spiritum rectum innova in visceribus meis.
Ne projicias me a facie tua: et spiritum sanctum tuum ne auferas a me.
Redde mihi laetitiam salutaris tui: et spiritu principali confirma me.
Docebo iniquos vias tuas: et implii ad te convertentur.
Libera me de sanguinibus, Deus, Deus salutis meae: et exsultabit lingua mea justitiam tuam.
Domine, labia mea aperies: et os meum annuntiabit laudem tuam.
Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique: holocasutis non delectaberis.
Sacraficium Deo spiritus contribulatus: cor contritum, et humiliatum, Deus, non despicies.
Benigne fac, Domine, in bona voluntate tua Sion: ut aedificentur muri Jerusalem.
Tunc acceptabis sacrificium justitiae, oblantiones, et holocausta: tunc imponent super altare tuum virtulos.
Gloria Parti, Filio, et Spiritus Sancto.
Sicut erat in principo, et nunc et semper, et in saecula saeculorum. Amen.