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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O dobrar dos sinos.

Na sua linguagem ancestral, uma das mais belas cadências dos sinos é o seu toque de dobre, o qual, em terra lusitana, do alto das torres das catedrais ou do cimo dos campanários de recônditas aldeias, é o toque de Finados: o choro dos sinos por aqueles que partiram desta vida.
É extraordinário como, do mesmo instrumento e do conjunto dos mesmos timbres e tons, tanto se enche o som da mais profunda tristeza, como, em dia de repique, se anuncia alegria, vida e Ressurreição. Apenas pela diferença de ritmo ou, talvez mais importante, pela diferente simbologia com que cada toque envolve o nosso espírito, que os tem imbuídos na nossa própria identidade.
Assim é por estes dias...
Após festejarmos os Santos com indubitável alegria, lembramos os nossos que partiram, que nos transmitiram o que somos e O que cremos, pedindo por eles e para que possam estar em situação próxima dos festejados.
Há quem fuja de tristezas. Mas, quase por azar, vão-lhes, mesmo assim, bater à porta.
Há quem encare a vida com alegria. Destes, são as tristezas que, naturalmente, lhes fogem, porque em tudo o que lhes chega conseguem descobrir ponta de alegria e de esperança.
Ora, para quem se se enquadra nestes últimos, quão grande é a beleza desse encontro entre os que estão e os que partiram: cadenciado pela gravidade dos sinos que choram sem silêncio; decorado pelo pesado preto que não precisa de côr para se impor aos olhos cansados de banalidades; interiorizado no íntimo das almas que conseguem admitir em si a pequenez humana com que duvidam do Divino; amarrado a notas largas que timbram vozes suplicantes em ardente Requiem: Libera me domine de morte aeterna...
Outros preferem esconder-se da realidade da Vida.
E, quanto mais se escondem, menos descobrem a Alegria...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Caritas in Veritate.

Um interessante artigo, do Jornalista Joaquim Franco, publicado na SIC on line.

"A encíclica da crise. Sem preconceitos, porque é assim que deve ser abordada, a encíclica social de Bento XVI é um compêndio, um guia, para compreender a crise e o mundo.

Naturalmente, todo o texto respira e transpira uma visão transcendental, o pensamento católico sobre a vida, o Homem e o mundo. Mas este é um texto que derruba fronteiras. Corajoso, nada conservador, critica governos e gestores de um mercado falido, como nenhum político eleito fez até agora. Rasga, no sentido positivo do termo, uma certa lógica pragmática, sem ética, que domina a economia e a política, motivadora de resignação e imprudência, geradora da crise. Os valores que atravessam a encíclica social de Bento XVI, são os valores da exegese do tempo, propostas de construção de fraternidade, esmagadas por pressupostos com pés de barro que servem de desculpa para adiar opções… radicais.
Apresentada na véspera de mais uma reunião dos “colossos” económicos no G8, A Caridade na Verdade é uma encíclica marcada pela crise, mas que permanecerá actual nas crises e entre as crises do futuro. Na senda de outros documentos importantes que definem a chamada Doutrina Social da Igreja – como a Rerum Novarum de Leão XIII, a Pacem in Terris de João XIII, os documentos do Concílio Vaticano II, a Populorum Progressio de Paulo VI ou a Centesimus Annus de João Paulo II, cada qual com a marca do seu tempo –, Caritas in Veritate retrata um mundo e um tempo de incertezas, com a certeza de que muita coisa tem de mudar. Está lá tudo, com uma gramática criteriosa e uma invulgar capacidade de leitura do tempo e dos sinais. Ética e Justiça serão palavras-chave da encíclica, mas não chegam para compreender a(s) direcção(ões) proposta(s).
Mediaticamente faz eco o apelo, que não é inédito – João XIII já o fizera –, para uma “reforma da ONU” e a criação de uma “Autoridade Política Mundial” reguladora da globalização, reconhecida por todos, “com poder efectivo para garantir a observância da justiça, o respeito dos direitos” e planificar o desenvolvimento, orientada pelos “princípios da subsidiariedade e da solidariedade”. Propostas em jeito de renovadas utopias. Mas o texto é muito mais profundo. Foi elaborado com tempo, amadurecido enquanto se atravessava a crise.
Sob o signo da crise económica, Bento XVI defende também, como dimensão imprescindível, a liberdade religiosa que “não significa indiferentismo religioso”, promotor do afastamento da dimensão transcendental da esfera pública, ou sincretismo que relativiza.
No laicismo, por um lado, ou no fundamentalismo, por outro, “perde-se a possibilidade de um diálogo (…) entre a razão e a fé religiosa”, defende Bento XVI.
A corrupção, o lucro, as deslocações de empresas – “não são lícitas somente para gozar de especiais condições” –, a reavaliação do papel dos Estados, os sistemas de segurança social, a importância das organizações sindicais – embora com novos paradigmas de luta –, a mobilidade laboral, os fluxos migratórios, o “absolutismo tecnológico” que deslumbra, a vida, o ambiente, a agricultura, os recursos naturais, a pobreza, a fome, a liberdade, o desenvolvimento, a comunicação social, a interacção cultural, a interdependência, os dilemas antropológicos… são abordagens aparentemente inconciliáveis numa única reflexão e que ganham, nesta encíclica, a forma de um rendilhado coerente e conciso.
A história já provou que uma crise oferece possibilidades e antecipa mudanças.
Bento XVI fala de confiança, mas não consegue esconder um certo cepticismo, uma dose de desalento com o homem contemporâneo, menos disponível para os valores da religião, da transcendência… da fé, que, no entender do papa, purifica a razão. “Os custos humanos são sempre custos económicos e as disfunções económicas acarretam sempre custos humanos”, por isso, não haverá fraternidade sem “transparência, honestidade e responsabilidade”.
Tendo o homem como meta, e na sequência da encíclica Deus Caritas est (Deus é Amor), a nova encíclica A Caridade na Verdade reabre o leque de intervenção dos cristãos: “O caminho político da caridade não é menos qualificado e incisivo do que é a caridade que vai directamente ao encontro do próximo”.
Nas primeiras linhas, o papa lembra que “a caridade é a via mestra da doutrina social da Igreja”. Mas a prática também revela que a falta de coerência é a fragilidade maior entre os cristãos, a quem o papa se dirige em primeiro lugar. Bento XVI critica os alicerces do mercado desregrado, o “crescimento de uma classe de gestores” preocupados apenas com o lucro. Muitos gestores, que se dizem católicos, foram cúmplices ou responsáveis pela crise, aproveitaram-se dela ou das fragilidades do mercado sem regras que a provocou. Devem ter as orelhas a arder."

segunda-feira, 30 de março de 2009

Espanha sai à Rua.

Diversas organizações espanholas e a Igreja Católica promovem esta semana várias iniciativas, incluindo manifestações em várias cidades, contra a proposta reforma da lei do aborto em Espanha.
Entre as várias iniciativas contam-se manifestações apoiadas pela Conferência Episcopal Espanhola, que promove quarta-feira a sua “Jornada pela Vida”, que este ano dedicará especial atenção ao tema do aborto.
Alguns dos promotores sustentam que as iniciativas poderão ser as acções de protesto mais amplas da sociedade contra os vários ataques à família, como a eutanásia e os casamentos homossexuais, um dos temas que mais mobilizou a Igreja Católica espanhola.
Desta feita, a Igreja Católica espanhola apostou numa forte campanha, que terá custado mais de 300 mil euros e que já ficou marcada pela polémica.
Inclui o uso de mais de 1.300 cartazes gigantes em 37 cidades espanholas alegando que a flora e a fauna têm mais protecção do que os não-nascidos.
Os cartazes - onde está uma foto de um bebé a perguntar “E eu?”, e outra de um lince com a frase “lince protegido” - são acompanhados de 30 mil posters e de oito mil folhetos para distribuir por todo o país.
Coincidindo com a polémica campanha, mais de um milhar de intelectuais assinaram uma “Declaração de Madrid” em que dizem ter “razões científicas e não ideológicas” para defender o direito à vida desde o momento da fecundação.
Os cientistas, biólogos, juristas, ginecologistas, filósofos e professores universitários espanhóis que assinaram o texto criticam a proposta de uma lei de prazos para a interrupção voluntária da gravidez.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Portugal pro Vida quer constituir-se Partido Político.

"O Portugal pro Vida é um movimento de cidadãos, maioritariamente cristãos e católicos leigos, que visa levar a «Causa da Vida» aos bancos parlamentares por direito próprio. Embora, como qualquer movimento político, devamos assumir uma posição aconfessional, assumimos plenamente a nossa inspiração na Doutrina Social da Igreja e no «Evangelho da Vida» do nosso saudoso papa João Paulo II. Defendemos e praticamos o diálogo institucional com a Igreja Católica e outras organizações religiosas. Nesse quadro temos tido a oportunidade de, em diversas ocasiões, manter contactos com a Conferência Episcopal Portuguesa, mas também com igrejas cristãs da Aliança Evangélica Portuguesa e até com a Comunidade Islâmica em Portugal.
Tivemos a alegria e a honra de receber já diversas cartas de apreço e reconhecimento pelo nosso trabalho pro-Vida, de que destacamos uma da Conferência Episcopal e outra do próprio Vaticano. Consideramos que as entidades políticas, governo e partidos, têm muito a ganhar ao incluir nos seus processos de decisão também os contributos daqueles cuja vida se centra no plano Espiritual e, por força disso mesmo, não raro vêm mais longe e mais fundo no coração dos homens. Acreditamos, enfim, que um país mais «amigo da Vida» terá mais condições para manter uma sociedade mais desenvolvida, sustentável e feliz.Por isso, algumas das nossas primeiras bandeiras serão a luta política sem tréguas contra o aborto, a eutanásia, o "divórcio na hora", os casamentos homossexuais e as limitações do Estado à liberdade de educação. Também por isso o nosso esforço não se tem esgotado na definição de linhas de oposição à política que vem sendo seguida no nosso país, mas tem-se preocupado igualmente por apresentar uma política alternativa - necessariamente pro-Vida e pro-Família - que a prazo nos coloque a salvo do «Inverno Demográfico» no qual nos vamos dissolvendo.Muitos cidadãos hoje não votam ou votam em branco, por não se reverem em qualquer das alternativas existentes. Queremos oferecer-lhes a possibilidade de se afirmarem pro-Vida e retomarem a sua participação cívica plena. Sabemos que por vezes as sociedades mais oprimidas ou descrentes não encontram para os seus anseios de Liberdade outro aliado senão o elemento religioso. Aconteceu há poucos meses na Birmânia (Myanmar) com os monges budistas e vai acontecendo também no Tibete. Referimos estes dois exemplos sem maioria católica para não nos acusarem de sectarismo. No mundo cristão, os exemplos ao longo da história seriam praticamente incontáveis.Portugal, hoje, vive um lento processo de progressiva asfixia democrática com o controlo progressivo do aparelho de Estado por grupos de interesses desvinculados do superior interesse do povo. E também no plano ideológico, as diferentes e respeitáveis doutrinas políticas cederam já muito terreno ora a um misto de pragmatismo a-moral e relativismo ético, ora a um laicismo dogmático - quase uma "igreja" ele próprio, com a sua liturgia, os seus doutrinadores e a sua dogmática.Por tudo isto, cientes da hora decisiva e dramática que vivemos, foi tomando corpo este projecto dentro de vários grupos de cidadãos há anos temperados na luta pró-Vida, de diversos movimentos de leigos da Igreja Católica e também de outras igrejas cristãs. Temos um sítio na internet onde decorre o nosso debate interno, aberto à sociedade, e anunciamos iniciativas, petições, congressos, etc. Convidamo-lo a ir até lá e participar deste processo de pensamento e acção em rede. Já somos cerca de 2000 cidadãos de todos os pontos do país e da emigração.Mas continuamos a crescer e precisamos da sua colaboração dentro do possível. Neste momento temos a tarefa urgente e prioritária de nos constituirmos legalmente, para o que nos faltam ainda 5.500 assinaturas a reunir até ao dia 27 de Março se ainda quisermos aspirar a participar nas eleições europeias, onde seria muito bom já poder apresentar aos portugueses os nossos pontos de vista. A um qualquer, tal pode parecer tarefa impossível de realizar. Não a homens e mulheres de Fé como nós!"
http://portugalprovida.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de março de 2009

Uma Nova Geração.

Tem 12 anos e o seu nome é Lia. A sua escola, em Toronto, propôs um trabalho aos estudantes: fazer um vídeo em casa. Ganhou o primeiro lugar. Porém, suscitou uma “controvérsia assombrosa”, pois escolheu o tema do aborto, com grande desenvoltura e precisão de conceitos pela vida. O seu trabalho já foi visto por centenas de milhares de pessoas, no Youtube. Lia escolheu o tema contra a opinião da mãe, sendo a professora uma feminista pró aborto "pelo direito de decidir", mas teve que ceder perante a convicção pura e corajosa da aluna. O painel de juízes da escola não queria aceitar o tema, tendo um deles protestado e renunciado à função. Mesmo assim, Lia não arredou. Tinha o apoio entusiasta e unânime dos seus colegas. No final, o seu trabalho foi considerado e mereceu o primeiro prémio. A própria professora reconheceu que Lia a fez reflectir.
Interessante sinal, pois se, na geração dos seus pais, o facto de ser pelo aborto ficava bem e era moderno, agora, às novas gerações, começa a causar horror. O mundo começa a dar sinais de mudança. Já não são as, aliás bem envelhecidas, “Católicas pelo Direito de Decidir”, lideradas por uma ex-freira, que representam as tendências com futuro.