Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Jantar dos Conjurados 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Domingo é dia de Partidos…
Em vésperas de eleições, vêm-me à memória, com satisfação, as alegres campanhas de rua que, normalmente fugindo à imprensa e aos encontros com opinativos aspirantes a políticos, percorriam os recantos de toda a Ilha, palmilhando-a à Canada e ao Outeiro, juntando, à sua volta, descontraída caravana que, sem grandes preocupações em convencer o povo do que quer que fosse, pois que o genuíno já partilhava naturalmente das causas daquelas cores, rapidamente se deixava convencer pela beleza do mundo rural e pela grandeza desse Povo profundo. Talvez por isso, por essa empatia à primeira vista, vá-se lá saber como, na hora da verdade, os votos sempre caíam naquela sigla com desusada abundância…Não sei se hoje, habituado a esta mais pacata vida de estudioso e conselheiro, instalado em simpático torreão do Frias, as pernas se readaptariam àquela romagem anual de trinta dias em caminhada de sol a sol, com tradicional paragem nas mais puras adegas que salpicam a Ilha da cor da felicidade de quem partilha o melhor vinho que lhe enche a adega...
Mas, essa parte hoje já só é memória.
Outra há, porém, o dia dos votos, que permanece na rotina da vida, dizendo-se até, com alguma verdade, que é esse um dever ético e moral desde que, com a malfadada Revolução Francesa, perdemos o distinto título de respeitosos súbditos e nos rotularam com esse estranho epíteto de “cidadãos”…
Ora, se nas presidenciais nem a doutrina do mal menor me consegue convencer a sair de casa, nas legislativas, apesar de tudo, ainda há escolhas interessantes, algumas até menos conhecidas.
Chego a lamentar o facto de só poder votar uma vez.
Claro, gosto de votar no CDS. Nem que seja por tradição familiar ou tantos anos de ofício. Mas ainda mais agora que Paulo Portas está em franca recuperação e Artur Lima tem engrandecido o Partido nos Açores, há óptimas razões para o fazer.
Mas depois, agora que não tenho obrigações partidárias, há sempre o meu Partido de infância, daqueles 6 e 7 anos, em que assistia aos tempos de antena do PPM com o mesmo entusiasmo que me despertavam as aventuras do D’Artacão… Mas, claro, mais importante do que isso: o PPM merece o voto dos monárquicos. Ainda mais agora que está com uma boa organização. Tem história e tem carisma. E gente extraordinária que vive a nossa História e os nossos valores tradicionais, como o bom amigo Gonçalo da Câmara Pereira. E o candidato dos Açores, Paulo Estévão, tal como Artur Lima do CDS, também daria um óptimo Deputado ao Parlamento.
Mas agora, para complicar as contas, aparece o PPV. O Portugal Pró Vida é um novo Partido que tem como objectivo a defesa dos valores em que eu acredito: a Vida e a Família. Segue a Doutrina Social da Igreja e é um movimento cívico sem pretensões de poder, tendo-se constituído a partir dos movimentos de defesa da vida humana. É gente de princípios e com muita garra em defesa do bem comum.
E talvez até desse também um voto ao PNR. É verdade que tem umas tropas repletas de cavaleiros do asfalto, forrados de tatuagens e com o cabelo curto de mais para o frio que às vezes faz em Lisboa. Mas o líder, Pinto Coelho, diz aquilo que toda a gente tem medo de dizer, é o único que não presta vassalagem ao 25 de Abril e está próximo de ser eleito deputado por Lisboa, o que seria uma pedrada no charco esquerdoso que domina a Nação. E para combater essa virulenta esquerda só mesmo com as tropas que tem à volta!
E, claro, em última instância, o PSD. Apesar de tudo, sociologicamente é aparentado com quem valoriza a Nação. Felizmente que desta vez o candidato é Passos Coelho, pois assim não me faz perder muito tempo a dar voltas à cabeça…
Mesmo assim, no Domingo, só tenho um voto! Pouca sorte. Se alguém também o tiver, ajude-me a distribuir por esta prezada lista….
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
A nossa Homenagem!
A 1 de Fevereiro decorrem 103 anos anos dos trágicos acontecimentos do Terreiro do Paço em que foi barbaramente assassinado o então Chefe de Estado da Monarquia Portuguesa. Nas principais cidades do País são celebradas Solenes Eucaristias de sufrágio pelas almas de Sua Majestade o Rei Dom Carlos, e de seu filho, o Príncipe Real Dom Luís Filipe.Aqui fica a nossa humilde Homenagem!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O Dia da Restauração
Ao Meio-Dia é celebrada Missa evocativa, na Igreja de São Domingos de Gusmão. Na véspera, dia 30 de Novembro, no emblemático Convento do Beato, cerca de mil pessoas, ao Jantar, lembram o acto heróico dos Conjurados de 1640, com a presença de Suas Altezas Reais, os Duques de Bragança, numa organização da Causa Real.
Na falta de se celebrar o 5 de Outubro como símbolo dos oitocentos anos de Portugal, desde o Tratado de Zamora, em 5 de Outubro de 1143, ao menos lembramos esta segunda oportunidade, o 1 de Dezembro de 1640 - a Independência Nacional. Belíssima data para o País reflectir sobre o regime político que foi “democraticamente” escolhido pela suave força das armas.
Claro que ainda há quem pense que é de lesa Pátria alinhavar argumentos em favor do trono, como se a Europa evoluída não fosse constitucionalmente monárquica. Não é preciso percorrer todo o norte da Europa, basta atravessar a fronteira para perceber que a velha igualdade estatutária dos reinos ibéricos há muito que libertou esta lusa província económica. Embora, financeiramente, a casa civil deste pequeno País gaste mais metade, sem pompa, do que, com circunstância, a casa real espanhola.
Hoje todos condenamos que, em vez de nascer de razões, a república tenha assente a sua origem no sangue culto e genuinamente português de D. Carlos e do seu jovem filho, sob o olhar impotente da destroçada mãe e Rainha Dona Amélia.
Hoje já aprendemos nos bancos da escola que, afinal, quando veio a República, há muito que o País era um estado de direito democrático.
A causa real é a afirmação da nossa identidade. O que é seguramente muito. Um Rei representa não só o Estado democrático mas também a Nação, de cujos interesses permanentes é o guardião.
A monarquia não se impõe por revoluções, impõe-se pelas suas razões. Neste caso, porque a causa é a inversa, nem é preciso sangue, nem golpes, nem derrubes. Pacificamente, trata-se de dar um Rei à república.
Celebrar a Restauração é assim afirmar a nossa identidade enquanto Nação livre e soberana há mais de oito séculos. Revelar oitocentos anos de cristianismo, de uma Pátria cuja Rainha, a Senhora da Conceição, permanece no trono afectivo de cada português, na genuína devoção à Virgem Santíssima. Felizmente, e apesar de tudo, a lusa coroa permanece simbolicamente na Rainha dos Céus, coroada Rainha de Portugal por D. João IV. Por isso, onde está a Senhora está Portugal.
O nosso grande desafio, enquanto Nação, é o da identidade, enquanto representação e vivência de valores. As Monarquias são um factor dinamizador e incentivador das vontades nacionais. É por isso que, na Europa, nas Monarquias estão os países com níveis culturais e económicos mais elevados.
Comemorando a Nação, relembramos a nossa tripla pertença, enquanto Europeus, Atlânticos e Lusófonos, nesse verdadeiro triângulo estratégico, por vezes esquecido. Evidenciando a nossa natural pertença ao velho continente não deve ser confundido com a investida federal bafejada pela indiferença dos cidadãos, aos quais nada dizem os símbolos ou os pomposos discursos acerca da União Europeia, normalmente baseados em pretensiosismo que, envergando falsas posturas de Estado, mais não fazem do que camuflar a nossa constante e gradual marginalização na tomada de decisões.
Lembrar o Portugal de hoje é também lembrar o fim de uma fase de falso progresso económico, com anos de despropositado júbilo que devia ter sido comedido e refreado pelo custo que a aparência de modernidade implicou no respeito por essas outras riquezas que são o nosso património natural, cultural e arquitectónico.
O republicanismo militante assenta numa espécie de nova religião fanática feita de dogmas intolerantes à discussão, como esse pretensiosismo contemporâneo que decorre de um falso conceito de igualdade.
A igualdade dos homens e de cada homem perante Deus é um princípio de vida que a todos deve nortear na relação com o seu semelhante e no respeito pelo outro. É a grande novidade d’Aquele cujo nascimento dentro em pouco celebramos. É um projecto tão exigente que, ao longo dos séculos, poucos têm sido os que, de entre nós, têm conseguido responder, na sua vida, a esse desafio.
Há, porém, uma outra igualdade – nascida das novas ideias que substituíram Deus pelo próprio homem - a qual deixou de ser uma proposta de vida para servir de bandeira política. Em seu nome, revoluções e guerras acompanham a humanidade de há dois séculos a esta parte, sempre com o mesmo desfecho: os revolucionários que a proclamam, em nome do povo, acabam por tomar o lugar daqueles cujas rendas e poltronas há muito invejavam.
Foi assim logo na Revolução Francesa: a igualdade foi a grande bandeira revolucionária que transformou Napoleão no Imperador. Melhor igualdade é difícil de atingir.
Foi assim durante o século XX, nas conhecidas sociedades igualitárias de Além Berlim, em que, tal como o louco que dirigiu o país em cuja cidade cravaram o muro do mundo, a maior herança que legaram do respeito pela igualdade e dignidade da condição humana são os biliões de ossos de cujos milhões de corpos a vida foi criminosamente arrancada.
Tem sido sempre assim.
Diz-se que na República somos todos iguais. Balelas que enchem as cabeças que não tiveram a sorte ou o engenho de se instruírem e cultivarem por si próprias.
Basta lembrar os excessivos protocolos e as desnecessárias mordomias que convivem de forma ousada com esse princípio político laicamente sagrado que fundamenta esta terceira República: a igualdade.
Então e os excessivos protocolos e as desnecessárias mordomias?
Argumenta-se com a dignidade da função, ou melhor, o grande chavão que esmaga, de uma só vez, a inveja popular – o sentido de Estado. Então um cidadão que esteve em Belém, a reinar sem coroa, não há-de ter, pago pelos cofres públicos, até ao fim dos seus dias, reforma superior ao que recebem umas 20 ou 30 velhotas do povo? Sendo que, neste caso e pelo mesmo prazo, também não dá para as 30 simpáticas velhinhas se juntarem e terem direito a um belo carro com chofer. Também não cabiam. Além disso são do povo. Não como o distinto senhor que já o foi mas hoje faz parte da elite política que fundamenta a sua ascensão social nesse princípio laicamente sagrado: a igualdade.
Na primeira República nenhum Governo chegou a estar tempo suficiente para pensar nisso. Na segunda o tempo era outro e alguém deu-se ao trabalho de pensar que isso não era conveniente. Chegados à terceira República, ninguém disso se lembrou enquanto as golas altas e o Zeca Afonso, o mais eloquente expoente da cultura nacional, foram a moda protocolar.
Depois, claro, é o que se sabe.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Ramalho Ortigão o escreveu...
Pobres homens, mais dignos de piedade que de rancor os que imaginam que é com um carapuço frígio, talhado à pressa em pano verde e vermelho, manchado no lodo de uma revolta num bairro de Lisboa, que mais dignamente se pode coroar a veneranda cabeça de uma pátria em que se geraram tantos grandes homens, a cuja memória imperecível, e não aos nossos mesquinhos feitos de hoje em dia, devemos ainda os últimos restos de consideração a pudemos aspirar no mundo! Pobre gente! Pobre pátria!(…)
Tais resultados, que eu acho melhor encarar pelo lado cómico, que pelo lado trágico, demonstram, com a evidência científica de uma operação química, que a experiência política da Rotunda prolongada até hoje não está deixando, no fundo das retortas, senão indisciplina, desordem, deseducação, desnacionalização, imoralidade, irreligião, empobrecimento, charlatanismo, cabotinismo e miséria.
Evaporada a infantil e burlesca ilusão de que um país pode continuar a viver, como vive uma minhoca em postas, uma vez esquartejado nas suas tradições, nas suas crenças, nos seus usos e costumes, na continuidade da sua experiência histórica, governado por um pessoal improvisado pelo favoritismo político, com uma instrução pública de pedantes, uma religião de ateus, uma polícia de sicários, uma maioria parlamentar de ineptos, um ministério de energúmenos, uma burocracia de vagabundos e uma diplomacia de curiosos, da qual só é dado esperar através das chancelarias e dos salões da Europa a mais estercoraria pingadeira de "gaffes".
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Hino popular a Dom Nuno.
Herói e Santo,Dom Nuno imortal,
Valei à terra de Portugal!
I
Dom Nuno Álvares Pereira
Nosso encanto e nossa glória,
Retomai vossa Bandeira
E levai-nos à vitória.
II
Em vosso peito de crente
E robusto lutador
Ardem continuamente
Chamas de fé e amor
III
Em vosso peito de crente
E robusto lutador
Ardem continuamente
Chamas de fé e amor
III
Carmelita e Cavaleiro,
Abraçando a Cruz da Espada,
Mostraste ao mundo inteiro
O valor da Pátria Amada.
IV
Ébria de sonho e de aurosa,
Voss'alma fremente e bela,
Brilhou nas eras de outrora
Mais alto do que uma estrela.
IV
Ébria de sonho e de aurosa,
Voss'alma fremente e bela,
Brilhou nas eras de outrora
Mais alto do que uma estrela.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Ao Beato Nuno de Santa Maria.
O túmulo de Nuno Álvares Pereira foi destruído no terramoto de 1755. O seu epitáfio era: "Aqui jaz o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, beato monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge. Fundou, construiu e dedicou esta igreja onde descansa o seu corpo."Domingo, na Cidade Eterna, a Pátria engrandece-se. Como disse o Cardeal Patriarca, em Lisboa, o Beato Nuno é do melhor que Portugal teve na sua História: um Homem da causa pública e de fé.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
quarta-feira, 25 de março de 2009
Portugal pro Vida quer constituir-se Partido Político.
"O Portugal pro Vida é um movimento de cidadãos, maioritariamente cristãos e católicos leigos, que visa levar a «Causa da Vida» aos bancos parlamentares por direito próprio. Embora, como qualquer movimento político, devamos assumir uma posição aconfessional, assumimos plenamente a nossa inspiração na Doutrina Social da Igreja e no «Evangelho da Vida» do nosso saudoso papa João Paulo II. Defendemos e praticamos o diálogo institucional com a Igreja Católica e outras organizações religiosas. Nesse quadro temos tido a oportunidade de, em diversas ocasiões, manter contactos com a Conferência Episcopal Portuguesa, mas também com igrejas cristãs da Aliança Evangélica Portuguesa e até com a Comunidade Islâmica em Portugal.Tivemos a alegria e a honra de receber já diversas cartas de apreço e reconhecimento pelo nosso trabalho pro-Vida, de que destacamos uma da Conferência Episcopal e outra do próprio Vaticano. Consideramos que as entidades políticas, governo e partidos, têm muito a ganhar ao incluir nos seus processos de decisão também os contributos daqueles cuja vida se centra no plano Espiritual e, por força disso mesmo, não raro vêm mais longe e mais fundo no coração dos homens. Acreditamos, enfim, que um país mais «amigo da Vida» terá mais condições para manter uma sociedade mais desenvolvida, sustentável e feliz.Por isso, algumas das nossas primeiras bandeiras serão a luta política sem tréguas contra o aborto, a eutanásia, o "divórcio na hora", os casamentos homossexuais e as limitações do Estado à liberdade de educação. Também por isso o nosso esforço não se tem esgotado na definição de linhas de oposição à política que vem sendo seguida no nosso país, mas tem-se preocupado igualmente por apresentar uma política alternativa - necessariamente pro-Vida e pro-Família - que a prazo nos coloque a salvo do «Inverno Demográfico» no qual nos vamos dissolvendo.Muitos cidadãos hoje não votam ou votam em branco, por não se reverem em qualquer das alternativas existentes. Queremos oferecer-lhes a possibilidade de se afirmarem pro-Vida e retomarem a sua participação cívica plena. Sabemos que por vezes as sociedades mais oprimidas ou descrentes não encontram para os seus anseios de Liberdade outro aliado senão o elemento religioso. Aconteceu há poucos meses na Birmânia (Myanmar) com os monges budistas e vai acontecendo também no Tibete. Referimos estes dois exemplos sem maioria católica para não nos acusarem de sectarismo. No mundo cristão, os exemplos ao longo da história seriam praticamente incontáveis.Portugal, hoje, vive um lento processo de progressiva asfixia democrática com o controlo progressivo do aparelho de Estado por grupos de interesses desvinculados do superior interesse do povo. E também no plano ideológico, as diferentes e respeitáveis doutrinas políticas cederam já muito terreno ora a um misto de pragmatismo a-moral e relativismo ético, ora a um laicismo dogmático - quase uma "igreja" ele próprio, com a sua liturgia, os seus doutrinadores e a sua dogmática.Por tudo isto, cientes da hora decisiva e dramática que vivemos, foi tomando corpo este projecto dentro de vários grupos de cidadãos há anos temperados na luta pró-Vida, de diversos movimentos de leigos da Igreja Católica e também de outras igrejas cristãs. Temos um sítio na internet onde decorre o nosso debate interno, aberto à sociedade, e anunciamos iniciativas, petições, congressos, etc. Convidamo-lo a ir até lá e participar deste processo de pensamento e acção em rede. Já somos cerca de 2000 cidadãos de todos os pontos do país e da emigração.Mas continuamos a crescer e precisamos da sua colaboração dentro do possível. Neste momento temos a tarefa urgente e prioritária de nos constituirmos legalmente, para o que nos faltam ainda 5.500 assinaturas a reunir até ao dia 27 de Março se ainda quisermos aspirar a participar nas eleições europeias, onde seria muito bom já poder apresentar aos portugueses os nossos pontos de vista. A um qualquer, tal pode parecer tarefa impossível de realizar. Não a homens e mulheres de Fé como nós!"
quarta-feira, 11 de março de 2009
O Presidente-Rei.
A 11 de Março de 1918, pela primeira vez em Portugal, foi concedido o direito de voto aos analfabetos do sexo masculino, pelas Reformas de Sidónio Pais, um republicano moderado que tentou salvar o País.A lei eleitoral republicana, aprovada a 14 de Maio de 1911, constituiu uma enorme desilusão, pois limitava ainda mais a participação dos cidadãos na vida política do que no tempo da monarquia. A lei conferia o voto apenas aos cidadãos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever ou que fossem chefes de família há mais de um ano. O código eleitoral de 1913 excluía, do direito de voto, os chefes de família analfabetos e os militares no activo. O colégio eleitoral da 1ª. República era limitadíssimo, sendo mesmo inferior ao existente na monarquia. Em 1890, recorde-se, haviam sido recenseados 900 mil eleitores e em 1913 já apenas 400 mil. Para agravar esta situação, a abstenção era elevadíssima (40% em 1915. 30% em 1925). Instalados no poder, os republicanos passaram a combater o próprio sufrágio universal, continuando a negar o direito de voto às mulheres, o qual só começou a ser concedido a partir de 1931, com o Estado Novo, com algumas restrições, as quais acabariam por ir sendo eliminadas entre 1946 e 1968.
O sistema eleitoral criado pelo Partido Republicano servia apenas para manter no poder as suas clientelas partidárias. Durante 16 anos, os republicanos impediram sob diversas formas o aumento da participação cívica da população portuguesa. Facto que acabou por minar a sua já de si curta base social de apoio, dado que muito poucos eram os que se sentiam representados no Parlamento ou no Governo, contribuindo para popularizar os regimes ditatoriais.
É no meio deste ambiente que, numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja Católica, em guerra aberta com o regime republicano desde 1911, Sidónio Pais alterou a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, suscitando de imediato feroz reacção dos republicanos históricos e da Maçonaria, mas colhendo o apoio generalizado dos católicos, dos republicanos moderados e da população rural, então a vasta maioria dos portugueses.
Fazendo uso da sua popularidade, foi eleito, a 28 de Abril de 1918, por sufrágio directo dos cidadãos eleitores, obtendo 470 831 votos, uma votação sem precedentes. Foi proclamado Presidente da República a 9 de Maio do mesmo ano, sem sequer se dar ao trabalho de consultar o Congresso e passando a gozar de uma legitimidade democrática directa, que usou sem rebuços para esmagar qualquer tentativa de oposição.
Certamente por isso, morto que foi o acarinhado pelo povo, então chamado de Presidente-Rei, por republicanos radicais, voltados ao poder, logo suprimiram o sufrágio universal independentemente do grau de instrução.
Hoje não se precisam dar a este trabalho: os ignorantes já são letrados e, modernos que também o são, tudo consentem, pois se os de nome badalado o defendem é porque assim é que está na moda.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Desordem social?
Intitulado Educação Bestial, aqui fica um recomendado artigo de E. Madeira:"Embora tal não seja por amiúde explicável aos “paisanos” – como António Lobo Antunes aos comuns mortais, asnos, chama – o mesmo ser anormal, escritor superior, mais uma vez, e já mais provavelmente a última, anunciou que já não deverá sentir mais a metafísica, ou mesmo física, gana de escrever. Que já terá, basicamente, exprimido o que tinha.
Tal, embora contra ambas as vontades, conduz a emparelhar com a outra besta viva, que é Saramago – nome não de origem; não como, de origem, foi deitado ao mundo por “camponeses sem terra”. No fim, ambos os seus corpos serão baixados ao chão. Ainda que, higiénica ou ecologicamente, optando para a incineração de seus restos, algum pó, que se respira, sempre descerá. Isso porque, enquanto por cá, seus estros (junto com suas carcaças) bem alto ergam.
Como das suas heranças, em volumes, não como leve pena sobre o mundo pesará, alguma coisa convirá ir aditando. Por exemplo: a linhas tantas do seu Intermitências da Morte, com os habituais trajes exteriores de sabedoria, vem a referir que da divindade, antigamente, se dizia que era omnipresente… Como que coisa, para todos, passada, portanto.
Por mais rígida e obtusamente tecido mundo de utopia em que quase se creia – não religiosamente – haverá que convir que, em algumas partes do mundo, ainda persistem algumas crenças de divindade… E que, para algumas destas menosprezadas pessoas, ajunta-se a crença de que em toda a parte presencia o mesmo Divino…
Ficção, literatura, portanto. Liberdade, portanto. Pregação, portanto.
Como é sabido, por toda a parte da obra de Saramago está presente a divindade… Na sua negação, portanto.
Outra questão será a de estas mais modernas, contemporâneas, arejadas obras estarem a instalarem-se nas leituras obrigatórias de Escola, comodamente.
Já não choca O Amor de Perdição. Já não é consentido atingir qual susceptibilidade a reprodução de o A Origem do Mundo, de Courbet, enormemente em capa, para captação de qualquer distraído que por uma montra passe. Já explicita os seus avanços a disciplina de Educação Sexual.
A Educação anti-Moral ou, pelo menos, anti-Religiosa é que ainda se encontra numa fase subtil de doutrinação e arregimentação de minorias. Mais adiante um pouco, em nome destas minorias já se poderá justificar muito mais…"
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O Condestável
Artigo de E. Madeira, comentador oficial deste Jornal, com a sua sugestão de leitura:"De uma mulher residente em Ourém, terra em Fátima visitada por a Senhora tão da devoção de cavaleiro Nuno Álvares Pereira, chamado de Beato Nuno de Santa Maria, do mesmo, confirmada a intervenção divina.
A residente, idosa, havia consultado vários especialistas que confirmavam que a recuperação da visão – caso chegasse a acontecer – demoraria no mínimo um ano.
Óleo fervente que saltou de uma frigideira – como que em sinal das penas que sofrerão as almas que, neste mundo, declaradamente ou por indiferença ofendem a Deus – fora a causa da desgraça que afligia a mesma senhora. Depois de várias novenas ao Santo Condestável feitas pelo pároco local e familiares, na noite de sete de Dezembro de 2000, a senhora sentiu-se cheia da força da fé, directa e intensamente apelou ao Beato Nuno, tendo beijado uma imagem dele. Sentiu, então, uma paz imensa. Tal paz é o resultado mais comum de devoções mais sentidas ou demoradas; neste estado, não notara ainda que já era capaz de ver plenamente… Assim, quando já menos esperava e vendo televisão, é que dá conta da graça alcançada.
Diversas outras graças divinas envolvendo a intercessão de Beato Nuno encontravam-se já registadas, incluindo as curas de vários tipos de Cancro, porém, os responsáveis pelo processo em causa ao reconhecimento da santidade somente com este caso entenderam de avançar, pela sua exemplar singeleza.
Neste ano, de 2009, aguarda-se que na Terra possa, finalmente, ser proclamada a santidade de Dom Nuno. Talvez, até, não no Vaticano, mas no santuário de Fátima ou em outras partes de Portugal, onde, pela manutenção da independência do nosso Reino, o excelso cavaleiro cristão, Nuno Álvares Pereira, sempre denotadamente pelejou.
Os dias de hoje são de descrédito e de indiferença. Tal proclamação, para quem ainda quiser ver, será uma lança sobre as quimeras dos que – sabe-se lá com que defesa possível – ousam voltar a pensar a integração do nosso país em Espanha… "
A residente, idosa, havia consultado vários especialistas que confirmavam que a recuperação da visão – caso chegasse a acontecer – demoraria no mínimo um ano.
Óleo fervente que saltou de uma frigideira – como que em sinal das penas que sofrerão as almas que, neste mundo, declaradamente ou por indiferença ofendem a Deus – fora a causa da desgraça que afligia a mesma senhora. Depois de várias novenas ao Santo Condestável feitas pelo pároco local e familiares, na noite de sete de Dezembro de 2000, a senhora sentiu-se cheia da força da fé, directa e intensamente apelou ao Beato Nuno, tendo beijado uma imagem dele. Sentiu, então, uma paz imensa. Tal paz é o resultado mais comum de devoções mais sentidas ou demoradas; neste estado, não notara ainda que já era capaz de ver plenamente… Assim, quando já menos esperava e vendo televisão, é que dá conta da graça alcançada.
Diversas outras graças divinas envolvendo a intercessão de Beato Nuno encontravam-se já registadas, incluindo as curas de vários tipos de Cancro, porém, os responsáveis pelo processo em causa ao reconhecimento da santidade somente com este caso entenderam de avançar, pela sua exemplar singeleza.
Neste ano, de 2009, aguarda-se que na Terra possa, finalmente, ser proclamada a santidade de Dom Nuno. Talvez, até, não no Vaticano, mas no santuário de Fátima ou em outras partes de Portugal, onde, pela manutenção da independência do nosso Reino, o excelso cavaleiro cristão, Nuno Álvares Pereira, sempre denotadamente pelejou.
Os dias de hoje são de descrédito e de indiferença. Tal proclamação, para quem ainda quiser ver, será uma lança sobre as quimeras dos que – sabe-se lá com que defesa possível – ousam voltar a pensar a integração do nosso país em Espanha… "
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Solene Pontifical de Sufrágio por Suas Majestades.
Foi ontem celebrado um Solene Pontifical na nossa Sé Catedral, presidido por Sua Excelência Reverendíssima, o Senhor Bispo de Angra e Ilhas dos Açores, no encerramento das comemorações do I Centenário do Regicídio, ao perfazerem-se 101 anos dos trágicos acontecimentos do Terreiro do Paço em que foi barbaramente assassinado o então Chefe de Estado da Monarquia Portuguesa. A Solene Eucaristia foi de sufrágio pelas almas de Sua Majestade o Rei Dom Carlos, de seu filho, o Príncipe Real Dom Luís Filipe e de todos os que faleceram na sequência daquele fatídico acontecimento. Estiveram presentes a Soberana e Militar Ordem de Malta, a Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém, as Santas Casas da Misericórdia de Angra e da Praia, as Ordens Terceiras Franciscana e Carmelita, e as Irmandades do Santíssimo da Sé, de Santa Cruz e Passos e de Nª Sª da Conceição.A Eucaristia foi brilhantemente solenizada pela Capela da Sé Catedral, sob a direcção do Maestro Duarte Rosa, tendo cantado, durante a liturgia, a Missa Brevis da autoria de D. Pedro IV, bisavô de Sua Majestade o Rei D. Carlos.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Causa Real alcança dimensão nacional
"O presidente da Federação das Reais Associações de Portugal, Paulo Teixeira Pinto, apresentou no passado sábado, ao Conselho Monárquico, reunido em Santarém, uma proposta de “nova organização e arquitectura institucional” para a Causa Real e também de “estratégia política de actuação” para “um novo ciclo”.Dessa estratégia faz parte a vontade deste movimento monárquico de se assumirem como movimento político - "sem ser um partido político", frisou Paulo Teixeira Pinto – e de incentivar os seus membros a estarem inscritos e filiados em partidos, como hoje já acontece. "Ao invés dos partidos, que têm uma “visão global da sociedade, com programa de acção, programa de governo”, os monárquicos “unem-se em nome da titularidade da chefia do Estado”. A Causa Real “vai passar a ter maior intervenção pública”, disse Paulo Teixeira Pinto.
D. Duarte Pio disse que não fazia sentido cada Real Associação continuar a trabalhar sozinha, saudando a sua transformação num “movimento para completar a Democracia portuguesa”. D. Duarte frisou ainda que a Causa Real existe apenas com o objectivo de conseguir que o povo português seja consultado sobre “se quer uma Democracia com um Chefe de Estado eleito dentro da classe política ou um Chefe de Estado Real aprovado pelo Parlamento”."
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
O Botequim.
Como deve ser, em dias de São Sebastião, o mártir soldado, antes do tradicional bolo de laranja que fecha o domingueiro almoço de festa, o prato típico são as tripas à moda do Porto, lembrando o excedente da carne que era enviada aos nossos soldados que propagavam a Fé e o Império. Ora, a propósito de tripas, tem Bento Sampaio este excelente artigo para leitura de fim de semana:"Ainda hesitei, mas a fome apertava, “quem sabe se aqui há tripas...”
Das muitas bodegas, que topamos por esse país fora, nenhuma tem algo que lhe ligue à do vizinho, “isso é tudo a mesma coisa...”, cochichava para minha mulher, “isso é que era bom...”, asseverava uma senhora meia-idade, e o que foi que eu fui dizer, “só se for na sua terra...”, ripostou o tasqueiro lá de dentro do balcão, ainda nem tínhamos lá entrado.
Mas o caso era outro. Há uns dias, furando as ruas do Porto – isto para aí quase vinte anos –, tinha cá um desejo, levara-o de cá, que me impelia para um típico tripas-à-moda-do-Porto.
Rua acima, rua abaixo, talvez nesta aqui, que cheira a bacahau, ou naquela ali defronte, com um fortíssimo odor a polvo, ou ainda, quem sabe, ir para as bandas da Ribeira, o certo é que não havia jeito de descobrir um poiso com a especialidade da terra.
Bem, andava um pouco desapontado, entre os safados filetes de abrótea, requentados num óleo de todo o santíssimo dia, o refonfelho frango assado, com batatas fritas, padecendo do mesmo mal, o portuguesíssimo cozido, cheio de tudo, fartando a goela, ah, o coelho à caçador, boa coisa, é verdade,
Não podia deixar a cidade sem me refastelar num típico tripas-à-moda-do-Porto, “daqui não vou sem as santas tripas”, gracejei.
Mas, francamente, não víamos nada, cheirando ao que pretendíamos. Nunca se deve dar o tempo por perdido, pois ia convencido de que... e mergulhámos nas ruelas da Invicta, deixando a vetusta Sé em sossego, já passava muita coisa depois do meio-dia, “ora boa tarde!”, enfatizei de tal modo que o tasqueiro me percebeu, “a toda a hora se come na nossa casa...”, recebeu-nos com um sorriso de bem-disposto.
As cartolas, mesmo à entrada do tasco, uns fulanos, ao balcão, abocanhando grossos copos de tinto, um gato amarelo, mansarrão, saltando de pipo em pipo, tudo aquilo era uma relíquia num tempo de modernidade, quase paredes meias, em chegando à Estação de São Bento.
Ainda hesitei, mas a fome apertava, “quem sabe se aqui há tripas...”, observei quase desapontado por não me poder refastelar no celebérrimo tripas-à-moda-do-Porto.
Podia ser, não custava perguntar, “sabe onde podemos, por aqui perto, comer umas tripas?”, ele reparou, decerto, no meu desalento, “aqui!”, e gritou para uma catraia, “leva estes senhores lá para cima”.
Deu para pensar que talvez não nos tivesse entendido direito, e nos quisesse impingir uma dobrada, “sai-te coisa ruim”, refilou a minha cara-metade, ou os mesmíssimos filetes, com uma só diferença, o óleo de toda a semana...
Não. O acolhedor taberneiro tinha, a verdade se diga, uma casa muito antiga, dois séculos, à vontade. Um quarto grande, com duas mesas, um louceiro com copos e pratos, talheres nas gavetas, e mais um outro quarto ao lado, com uma mesa grande para seis clientes.
Parecia que o fulano tivesse chegado lá da terra, com a mobília de uma herança fresquinha, coisa pouca, tudo limpo, mas que chegava bem para o negócio...
Comi que me fartei; e mais comia tripas para nunca mais me esquecer daquele lugar singular, não fora a hora de apanhar o comboio para Lisboa.
Imagine-se a soneca de cinco horas, revirando as tripas noutras parentes da mesma laia, não comparando...
Ao outro dia, domingo – ainda o meu irmão Nuno andava connosco e as tripas estavam já com dono –, subimos, com os meus, uma viela por detrás da Estação do Rossio, em cata de codornizes, “são fresquinhas”, ajudou ao apetite um fulano, parecendo do Norte, “perto de Vila Real”, acrescentou.
Não era uma tasca, mas antes fosse, “ó amigo este pão está quentinho, mas veja lá...”, e denunciámos o incrível, “este pão, repare bem, tem bolor!”.
Já se vê o chinfrim de quem tinha uma vítima pela frente, um pobre coitado sem defesa que lhe valesse, “isto parece incrível!”, clamava um, “onde já se viu, em pleno centro de Lisboa!”, blasfemava outro, “quem é que julga que somos?!”, e o último insulto, “somos porcos?!”.
O nosso homenzinho, amarelo, sem saber o que dizer perante tal evidência – e antes estivesse calado –, lá teve que se sair com a pior desculpa, “é domingo...”, e todos, pareciam combinados, “e depois, e depois?!”, ele ainda apostou, “e o que é que queriam que eu fizesse ao pão?...”
Bodega, tasca, taberna ou botequim, tudo isso ainda é o de melhor que temos de autentico.
Se tem um gato amarelo, pachorrento, espreguiçando-se sobre as cartolas à porta, é porque o vinho é de boa cepa, é da pura uva, é da casa."
Das muitas bodegas, que topamos por esse país fora, nenhuma tem algo que lhe ligue à do vizinho, “isso é tudo a mesma coisa...”, cochichava para minha mulher, “isso é que era bom...”, asseverava uma senhora meia-idade, e o que foi que eu fui dizer, “só se for na sua terra...”, ripostou o tasqueiro lá de dentro do balcão, ainda nem tínhamos lá entrado.
Mas o caso era outro. Há uns dias, furando as ruas do Porto – isto para aí quase vinte anos –, tinha cá um desejo, levara-o de cá, que me impelia para um típico tripas-à-moda-do-Porto.
Rua acima, rua abaixo, talvez nesta aqui, que cheira a bacahau, ou naquela ali defronte, com um fortíssimo odor a polvo, ou ainda, quem sabe, ir para as bandas da Ribeira, o certo é que não havia jeito de descobrir um poiso com a especialidade da terra.
Bem, andava um pouco desapontado, entre os safados filetes de abrótea, requentados num óleo de todo o santíssimo dia, o refonfelho frango assado, com batatas fritas, padecendo do mesmo mal, o portuguesíssimo cozido, cheio de tudo, fartando a goela, ah, o coelho à caçador, boa coisa, é verdade,
Não podia deixar a cidade sem me refastelar num típico tripas-à-moda-do-Porto, “daqui não vou sem as santas tripas”, gracejei.
Mas, francamente, não víamos nada, cheirando ao que pretendíamos. Nunca se deve dar o tempo por perdido, pois ia convencido de que... e mergulhámos nas ruelas da Invicta, deixando a vetusta Sé em sossego, já passava muita coisa depois do meio-dia, “ora boa tarde!”, enfatizei de tal modo que o tasqueiro me percebeu, “a toda a hora se come na nossa casa...”, recebeu-nos com um sorriso de bem-disposto.
As cartolas, mesmo à entrada do tasco, uns fulanos, ao balcão, abocanhando grossos copos de tinto, um gato amarelo, mansarrão, saltando de pipo em pipo, tudo aquilo era uma relíquia num tempo de modernidade, quase paredes meias, em chegando à Estação de São Bento.
Ainda hesitei, mas a fome apertava, “quem sabe se aqui há tripas...”, observei quase desapontado por não me poder refastelar no celebérrimo tripas-à-moda-do-Porto.
Podia ser, não custava perguntar, “sabe onde podemos, por aqui perto, comer umas tripas?”, ele reparou, decerto, no meu desalento, “aqui!”, e gritou para uma catraia, “leva estes senhores lá para cima”.
Deu para pensar que talvez não nos tivesse entendido direito, e nos quisesse impingir uma dobrada, “sai-te coisa ruim”, refilou a minha cara-metade, ou os mesmíssimos filetes, com uma só diferença, o óleo de toda a semana...
Não. O acolhedor taberneiro tinha, a verdade se diga, uma casa muito antiga, dois séculos, à vontade. Um quarto grande, com duas mesas, um louceiro com copos e pratos, talheres nas gavetas, e mais um outro quarto ao lado, com uma mesa grande para seis clientes.
Parecia que o fulano tivesse chegado lá da terra, com a mobília de uma herança fresquinha, coisa pouca, tudo limpo, mas que chegava bem para o negócio...
Comi que me fartei; e mais comia tripas para nunca mais me esquecer daquele lugar singular, não fora a hora de apanhar o comboio para Lisboa.
Imagine-se a soneca de cinco horas, revirando as tripas noutras parentes da mesma laia, não comparando...
Ao outro dia, domingo – ainda o meu irmão Nuno andava connosco e as tripas estavam já com dono –, subimos, com os meus, uma viela por detrás da Estação do Rossio, em cata de codornizes, “são fresquinhas”, ajudou ao apetite um fulano, parecendo do Norte, “perto de Vila Real”, acrescentou.
Não era uma tasca, mas antes fosse, “ó amigo este pão está quentinho, mas veja lá...”, e denunciámos o incrível, “este pão, repare bem, tem bolor!”.
Já se vê o chinfrim de quem tinha uma vítima pela frente, um pobre coitado sem defesa que lhe valesse, “isto parece incrível!”, clamava um, “onde já se viu, em pleno centro de Lisboa!”, blasfemava outro, “quem é que julga que somos?!”, e o último insulto, “somos porcos?!”.
O nosso homenzinho, amarelo, sem saber o que dizer perante tal evidência – e antes estivesse calado –, lá teve que se sair com a pior desculpa, “é domingo...”, e todos, pareciam combinados, “e depois, e depois?!”, ele ainda apostou, “e o que é que queriam que eu fizesse ao pão?...”
Bodega, tasca, taberna ou botequim, tudo isso ainda é o de melhor que temos de autentico.
Se tem um gato amarelo, pachorrento, espreguiçando-se sobre as cartolas à porta, é porque o vinho é de boa cepa, é da pura uva, é da casa."
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Nasceu el Rei.
"E vós, ó bem nascida segurança
Da Lusitânia antiga liberdade,
E não menos certíssima esperança,
De aumento da pequena Cristandade,
Vós, ó novo temor da Maura lança,
Maravilha fatal da nossa idade,
Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
Pera do mundo a Deus dar parte grande."
Subscrever:
Mensagens (Atom)

