quinta-feira, 19 de março de 2009

Dia do Pai.

Hoje, dia de São José, é dia do Pai nesta Lusa Nação. Homenageamos o nosso e esperamos as mais ricas prendas das mãos daqueles de quem ternuramente assim somos. Ricas porque feitas por si próprios, com aquele encanto de quem tem um tesouro guardado para tão grande dia. Que a vida lhes sorria: aos nossos pais e aos nossos filhos!

quarta-feira, 18 de março de 2009

As Romarias.

"Pelas veredas do monte,
Vai passando a Romaria,
Cantam ecos e Romeiros:
Padre-Nosso, Avé Maria."

As romarias estão por toda a Ilha, timbrando, em toadas de Avé Marias, adros e vielas. De cajado na mão, aí vão eles percorrer a velha Ilha do Arcanjo. Como sempre. Desde o tal terramoto de 1522, que nos levou a velha Capital e milhares das suas vidas. Para que tragédia assim não nos assole semelhante.
Em cada fim de semana uns saem, outros regressam. Neste, é a vez dos do bastião do Arcanjo. E com eles nosso irmão Tibério.
Um abraço fraterno.

terça-feira, 17 de março de 2009

É pegar ou largar.

Aqui vai uma crónica de Bento Sampaio, do seu Viagens no Tempo, enviada a propósito do artigo sobre a Rua do Frias:
"eram, eram, antes de chover, mas agora chove mesmo...”, e esboçou aquele sorriso brando de quem tinha a vida a correr-lhe bem.
Às vezes, torna-se difícil tomar uma decisão. Mas porquê tanta dúvida em definir uma atitude? Mal sabemos até a razão da delonga, porque tudo indicava naquele caminho. E, pronto, adiante – fica para outra ocasião.
Uma pessoa, à minha frente, assume-se, “sim, esse aí”, dirige-se para uma moça loira, enxuta, não tem mais que dezoito anos, duas tranças a enfeitar-lhe aquele gracioso gesto de adolescente e um sorriso brando a adocicar-lhe o semblante. E ela, satisfeita com mais uma venda, volta-se para outro cliente, ainda indeciso, “olhe que vai chover... são só dez escudos”, mas ele segue em frente, apostando numa melhoria do tempo.
E eu imitei-o – quem sabe se é só uma nuvem escura, negra não parece tanto assim –, “olhe que vai chover... são só dez escudos”, repete a jovem, vezes sem conta, o mesmo proclamo daquela tarde, no falar dela, ameaçando chuva copiosa.
Mas eu, fazendo orelhas moucas, trepei, depressa, a escadaria do palácio dos condes de Alvor, e meti-me dentro do museu das “Janelas Verdes”; começava, naquele preciso instante, a chuviscar.Bem, tinha-me livrado, a tempo, de gastar uns patacos na compra do guarda-chuva, dinheiro que me fazia mesmo falta. Havia chegado a Lisboa, nos finais de Dezembro de 1963, para engrossar, no fim de Janeiro, as fileiras da recruta, em Mafra, e tinha de gizar bem os meus gastos.
Agora, importava mergulhar na Arte Antiga do vasto museu. Lá dentro, logo na primeira sala, um valente estrondo ressoou e a luz deu sinal de se finar. Com aquela tremenda trovoada, cedo me veio à lembrança o meu pai falar do tempo em Lisboa, “em pleno Inverno, há dias seguidos de muito sol, frios de rachar”, e eu quase não queria ouvir o resto da sua recomendação, “mas quando desata a chover, são dias a fio”.
Arrepiei-me só de pensar como chegaria a casa, feito numa grande sopa. Fiz o possível para guardar, para mais tarde, essa apoquentação, já bem evidente, e os sapatos encharcados?... e um resfriado?...
Cada coisa a seu tempo, parecia o melhor conselho, lá isso parecia, só que a consumição ia tomando conta de mim.
De sala em sala, ia admirando as preciosidades de arte antiga, mas o retinir da chuva, a verdascar as grandes janelas, fazia com que desse de caras com a tal moça loira – imagine-se – estampada numa grande tela, a fixar-me intensamente, “olhe que vai chover... são só dez escudos”.
Procurando abstrair-me da situação penosa, que, na certa, me esperava lá fora, decidi-me demorar um bocado, em frente dos célebres Painéis de São Vicente, pedindo, ao patrono de Lisboa, clemência para a pena que iria cumprir no regresso a casa.
Mas não tinha conserto, a chuva era impiedosa, queria ela lá saber da minha angústia, “mas quando desata a chover, são dias a fio”, parecia até que meu pai se estivesse a rir da situação, “és novo, tens muito que aprender...”. Não, ele era incapaz de zombar do meu embaraço. Aligeirei a visita, que deveria ser demorada, e fiquei-me a pensar, junto de um cofre veneziano, como que a adivinhar-lhe o poderio de dinheiro, que tivera em outros tempos, e que daria para comprar todas as lojas de guarda-chuvas do mundo...
Qual seria o melhor caminho, para chegar a casa, ou melhor, que eléctrico, ou autocarro deveria tomar, e ainda, se voltaria a descer a escadaria para a avenida 24 de Julho. Precisava de companhia – um guarda-chuva.
Neste mister, ia a deixar o museu e não é que uma voz conhecida, “olhe que chove... são só doze mil e quinhentos”, voltou à baila, ali no átrio. Era ela, a mesma moça loira, satisfeita com o negócio a correr-lhe de feição.
Não tinha alternativa possível, ou investia no guarda-sol, como se dizia na minha tão distante Ponta Garça, ou, então, sujeitava-me a uma grande molha, até apanhar o primeiro transporte, “esse aí”, decidi-me e apontei para um, com o pano em xadrez. Tirei dez escudos, e, não ligando ao novo preço, meti-lhe na mão duas moedas de cinco.
Isso é que era bom... “não, não, são doze mil e quinhentos”, ripostou vigorosa, e eu apeguei-me ao preço anterior do proclamo, “mas, há bocadinho, eram só dez escudos...”, tentei a minha sorte, “eram, eram, antes de chover, mas agora chove mesmo...”, e esboçou aquele sorriso brando de quem tinha a vida a correr-lhe bem. E pus-me a cismar: a hora do negócio é só uma, é pegar ou largar...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Rua do Frias: casa à venda, casa vendida.

Na Rua do Frias é assim. Ainda mal estava a casa anunciada que era para venda, já logo se vendeu a dita. Ainda no dia 3, aqui se dava conta do excelente preço a que se encontrava e já hoje se foi, para desgosto dos interessados em viver naquela a que Armando Cortes Rodrigues dedicou o "Poema da minha Rua."
Daqui se deram vivas a D. Miguel e se conspirou entre os homens do povo, reunidos em nocturna taberna, já então fartos de pedreiros livres em início de actividade de, vai-se lá saber, quantos séculos de derrapagem civilizacional. E de tão nobre Botequim, daqui foram presos, com os outros mais, ao Forte de São Brás, onde após a célebre revolta dos calçetas, foram sumariamente executados, certamente em nome dos já então proclamados valores ditos da liberdade.
Rua de moagem, de palácios e de casas simples. Rua do tempo da fundação da Cidade.
Rua de António Frias, o pai da Rua, que lhe deu o nome, o Jardim que a encima como uma coroa e a Ermida da Senhora Santanna ; de Francisco Nunes Bago, licenciado do século XVII com raízes em Vila Franca do Campo, onde ainda hoje dá nome à velha Rua do Bago; de José do Canto, cuja imponente estátua, no local da velha casa do licenciado Frias, marca, ao fundo, a serenidade que aquele belíssimo Jardim novecentista lhe oferece; de José Maria Raposo de Amaral, reputado autonomista; de Armando Cortes Rodrigues, poeta cujas culturais tertúlias se repartiam entre a a velha Capital e esta sua Rua; e de tantos outros cujas memórias ainda perdurarão.
Mas é também Rua de gente simples e feliz que encontra, no que resta dos seus ladrilhos, o melhor espaço da cidade para viver: uma Rua com rosto humano cravada no centro da Cidade.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Gregório I

Já lá vão 1405 anos que, no dia de hoje, mas no ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 604, falecia em Roma, sua cidade natal, e da qual chegou a ser Prefeito antes de abraçar a vida eclesiástica, o Papa Gregório I, justamente chamado pelo povo de "o Magno", pela obra que deixou.
A ele se deve a conversão das Ilhas Britânicas ao cristianismo, tendo para lá enviado um grupo de quarenta monges beneditinos; do mesmo modo que o seu nome ficou associado à sempre eterna música cuja divulgação promoveu, o canto gregoriano, disciplinando assim a liturgia; além de ter deixado extensa obra escrita.
Três preocupações que, passado quase um milénio e meio, parecem ter voltado ao Papado: a conversão da Europa, o lugar próprio da liturgia e a profundidade científica de que a Fé não se pode alhear.

quarta-feira, 11 de março de 2009

O Presidente-Rei.

A 11 de Março de 1918, pela primeira vez em Portugal, foi concedido o direito de voto aos analfabetos do sexo masculino, pelas Reformas de Sidónio Pais, um republicano moderado que tentou salvar o País.
A lei eleitoral republicana, aprovada a 14 de Maio de 1911, constituiu uma enorme desilusão, pois limitava ainda mais a participação dos cidadãos na vida política do que no tempo da monarquia. A lei conferia o voto apenas aos cidadãos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever ou que fossem chefes de família há mais de um ano. O código eleitoral de 1913 excluía, do direito de voto, os chefes de família analfabetos e os militares no activo. O colégio eleitoral da 1ª. República era limitadíssimo, sendo mesmo inferior ao existente na monarquia. Em 1890, recorde-se, haviam sido recenseados 900 mil eleitores e em 1913 já apenas 400 mil. Para agravar esta situação, a abstenção era elevadíssima (40% em 1915. 30% em 1925). Instalados no poder, os republicanos passaram a combater o próprio sufrágio universal, continuando a negar o direito de voto às mulheres, o qual só começou a ser concedido a partir de 1931, com o Estado Novo, com algumas restrições, as quais acabariam por ir sendo eliminadas entre 1946 e 1968.
O sistema eleitoral criado pelo Partido Republicano servia apenas para manter no poder as suas clientelas partidárias. Durante 16 anos, os republicanos impediram sob diversas formas o aumento da participação cívica da população portuguesa. Facto que acabou por minar a sua já de si curta base social de apoio, dado que muito poucos eram os que se sentiam representados no Parlamento ou no Governo, contribuindo para popularizar os regimes ditatoriais.
É no meio deste ambiente que, numa tentativa de apaziguamento das relações com a Igreja Católica, em guerra aberta com o regime republicano desde 1911, Sidónio Pais alterou a Lei de Separação entre as Igrejas e o Estado, suscitando de imediato feroz reacção dos republicanos históricos e da Maçonaria, mas colhendo o apoio generalizado dos católicos, dos republicanos moderados e da população rural, então a vasta maioria dos portugueses.
Fazendo uso da sua popularidade, foi eleito, a 28 de Abril de 1918, por sufrágio directo dos cidadãos eleitores, obtendo 470 831 votos, uma votação sem precedentes. Foi proclamado Presidente da República a 9 de Maio do mesmo ano, sem sequer se dar ao trabalho de consultar o Congresso e passando a gozar de uma legitimidade democrática directa, que usou sem rebuços para esmagar qualquer tentativa de oposição.
Certamente por isso, morto que foi o acarinhado pelo povo, então chamado de Presidente-Rei, por republicanos radicais, voltados ao poder, logo suprimiram o sufrágio universal independentemente do grau de instrução.
Hoje não se precisam dar a este trabalho: os ignorantes já são letrados e, modernos que também o são, tudo consentem, pois se os de nome badalado o defendem é porque assim é que está na moda.

terça-feira, 10 de março de 2009

Março, marçagão, manhãs de Inverno e tardes de Verão.

Assim se quer Março, com bom tempo, pois já diz o ditado que "Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir." Pois então o tempo tem andado pelas seguras previsões optimistas dos antigos. Dá gosto sair à Rua e perceber o sol que irradia alegria. É tempo de recomeçar passeatas e arejos. Bem fez o sábio Professor Jorge que já está de regresso ao mar!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Uma Nova Geração.

Tem 12 anos e o seu nome é Lia. A sua escola, em Toronto, propôs um trabalho aos estudantes: fazer um vídeo em casa. Ganhou o primeiro lugar. Porém, suscitou uma “controvérsia assombrosa”, pois escolheu o tema do aborto, com grande desenvoltura e precisão de conceitos pela vida. O seu trabalho já foi visto por centenas de milhares de pessoas, no Youtube. Lia escolheu o tema contra a opinião da mãe, sendo a professora uma feminista pró aborto "pelo direito de decidir", mas teve que ceder perante a convicção pura e corajosa da aluna. O painel de juízes da escola não queria aceitar o tema, tendo um deles protestado e renunciado à função. Mesmo assim, Lia não arredou. Tinha o apoio entusiasta e unânime dos seus colegas. No final, o seu trabalho foi considerado e mereceu o primeiro prémio. A própria professora reconheceu que Lia a fez reflectir.
Interessante sinal, pois se, na geração dos seus pais, o facto de ser pelo aborto ficava bem e era moderno, agora, às novas gerações, começa a causar horror. O mundo começa a dar sinais de mudança. Já não são as, aliás bem envelhecidas, “Católicas pelo Direito de Decidir”, lideradas por uma ex-freira, que representam as tendências com futuro.

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Sagrado Lausperene.

Lausperene significa louvor perene ou eterno. É tradição bem própria da Quaresma, nestas nossas Ilhas, a Exposição Solene do Santíssimo Sacramento, no trono da Capela Mor, ornamentando-se a preceito a Igreja, com as flores próprias da época e as luzes cintilantes de lamparinas e velas ferforosamente a arder.
O Lausperene teria originariamente a duração de 40 horas, em memória do período que o corpo de Jesus passou no túmulo até à Ressurreição.
Em Lisboa, o Santíssimo Sacramento está exposto à adoração dos fieis desde 1556, por instituição do arcebispo de Lisboa, D. Luís de Sousa, ininterruptamente, percorrendo, por escala, as diversas igrejas da cidade, durante 48 horas.
Por cá a tradição cingia-se a uma noite, ou, em alguns casos, às 24 horas do dia. Mesmo assim, foi caindo em desuso. Felizmente, hoje, começa a recuperar-se, percebendo-se o brilho e a solenidade a que deve estar associada a Exposição do Santíssimo Sacramento. Assim é que, ao fim de décadas, e com o empenho do seu novo Prior, Domingo, na Matriz do Arcanjo desta Ilha, o Sagrado Lausperene está de regresso.

quinta-feira, 5 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Leilão de Antiguidades.

Nos dias 10, 11 e 12 de Março, decorre em Lisboa, no Palácio do Correio Velho, um grande leilão de antiguidades, o qual conta com um importante núcleo de pintura portuguesa e estrangeira, como a do filho pródigo, aqui retratada; jóias; faiança portuguesa do séc. XVII ao séc. XIX; edições especiais numeradas da Vista Alegre; esculturas em bronze; mobiliário português e estrangeiro; pratas do final do séc. XVII ao final do séc. XX; porcelana chinesa; entre outras peças, num total de 830 lotes. Aqui fica o endereço:

terça-feira, 3 de março de 2009

Viver no Centro da Cidade III

A preço excelente, em plena Rua do Frias, encontra-se à boca de venda, esta bonita casa em pedra.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Desordem social?

Intitulado Educação Bestial, aqui fica um recomendado artigo de E. Madeira:
"Embora tal não seja por amiúde explicável aos “paisanos” – como António Lobo Antunes aos comuns mortais, asnos, chama – o mesmo ser anormal, escritor superior, mais uma vez, e já mais provavelmente a última, anunciou que já não deverá sentir mais a metafísica, ou mesmo física, gana de escrever. Que já terá, basicamente, exprimido o que tinha.
Tal, embora contra ambas as vontades, conduz a emparelhar com a outra besta viva, que é Saramago – nome não de origem; não como, de origem, foi deitado ao mundo por “camponeses sem terra”. No fim, ambos os seus corpos serão baixados ao chão. Ainda que, higiénica ou ecologicamente, optando para a incineração de seus restos, algum pó, que se respira, sempre descerá. Isso porque, enquanto por cá, seus estros (junto com suas carcaças) bem alto ergam.
Como das suas heranças, em volumes, não como leve pena sobre o mundo pesará, alguma coisa convirá ir aditando. Por exemplo: a linhas tantas do seu Intermitências da Morte, com os habituais trajes exteriores de sabedoria, vem a referir que da divindade, antigamente, se dizia que era omnipresente… Como que coisa, para todos, passada, portanto.
Por mais rígida e obtusamente tecido mundo de utopia em que quase se creia – não religiosamente – haverá que convir que, em algumas partes do mundo, ainda persistem algumas crenças de divindade… E que, para algumas destas menosprezadas pessoas, ajunta-se a crença de que em toda a parte presencia o mesmo Divino…
Ficção, literatura, portanto. Liberdade, portanto. Pregação, portanto.
Como é sabido, por toda a parte da obra de Saramago está presente a divindade… Na sua negação, portanto.
Outra questão será a de estas mais modernas, contemporâneas, arejadas obras estarem a instalarem-se nas leituras obrigatórias de Escola, comodamente.
Já não choca O Amor de Perdição. Já não é consentido atingir qual susceptibilidade a reprodução de o A Origem do Mundo, de Courbet, enormemente em capa, para captação de qualquer distraído que por uma montra passe. Já explicita os seus avanços a disciplina de Educação Sexual.
A Educação anti-Moral ou, pelo menos, anti-Religiosa é que ainda se encontra numa fase subtil de doutrinação e arregimentação de minorias. Mais adiante um pouco, em nome destas minorias já se poderá justificar muito mais…"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Alerta Lobito!

Com a velada de armas se inicia a vigília que antecede de véspera a Cerimónia das Promessas. Dos mais velhos aos mais novos, assim é, desde logo, com os pequenos Lobitos.
É um momento de preparação e oração, com uma névoa de feliz ansiedade que só conhece quem se fardou dessa grande escola de vida e de serviço.
E assim chega o grande dia: “Prometo pela minha Honra e com a Graça de Deus fazer todos os possíveis por cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria; auxiliar os meus semelhantes em todas as circunstâncias; e obedecer à Lei do Escuta”.
Assim, Sábado, dirá também o Francisco. E, daqui, ao longe, a essa hora no Coro Alto da Matriz de São Miguel Arcanjo, ensaiando o soleníssimo Ave Verum de Mozart, para a Festa do Sagrado Lausperene, que em boa hora quis o novo e dinâmico Prior restaurar, desses suplicantes acordes, estará com ele o seu orgulhoso padrinho, crente nas crianças felizes que crescem no dever de tornar o mundo feliz. Sempre Alerta!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Em Dia de Cinzas.

As cinzas, que hoje nos são impostas, simbolizam o dever da conversão, a mudança de vida, recordando a passageira, transitória e efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte.
Assim se inicia a Quaresma, quarenta dias antes da Páscoa, pois que os Domingos não são nela incluídos.
"Lembra-te ó homem que és pó e que em pó te hás-de tornar."

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Dia de Entrudo.

Já lá vem dia d’Entrudo. Por ora, Domingo Gordo. À tarde, malassadas, croscrões, bombas e fatias douradas dão às mesas postas a razão do nome. Lá fora, mafarricos à solta, crianças disfarçadas, adultos transfigurados, só eles dão brilho às ruas, nestes dias de euforia.
E terça-feira, a cera colorida, quebrada ou esmagada nas calçadas da cidade, denuncia que, mesmo ali, o Entrudo foi a sério. Não é zona segura, pois, atrás da varanda donde partiu, outras mais lá estarão ansiosas por saltar.
Este é o nosso Entrudo: o melhor dos Carnavais. Claro que também há outros que na sua terra têm fulgor, mas quando importados perdem o brilho.
Duas das manifestações muito destas nossas ilhas são os bailes, na do Arcanjo, e as danças, na de Jesus Cristo. Na Terceira, é o povo comum quem faz de modelo, sobressaindo nos palcos, no seu jeito de ser e maldizer, misturando nas plateias todas as classes e gentes. Em Ponta Delgada, o modelo parte de cima, mas a beleza está na forma engalanada como cada um se apresenta – no vestir, na dança ou no estar – paramentando todos de igual toque aristocrático, sem olhar à idade ou ao meio social. Ambas as tradições não têm paralelo nas paragens mais próximas. A terceirense mais antiga. A micaelense do início da modernidade. Ambas da vontade genuína deste povo, de provar que é capaz. Na Terceira, daqueles que à volta das colectividades puxam pelas suas freguesias. Em Ponta Delgada, do povo que, a pulso no comércio, formou a nova elite micaelense do século XIX, que trouxe à cidade o toque cosmopolita e europeu que ainda hoje a envolve.
Em ambas, há um fenómeno que envolve as massas e dá um timbre muito próprio ao Carnaval açoreano. Certamente uma boa rota a promover. Para visitantes de gosto.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

É dia de Comadres.

Vivam as Comadres,
Em dia de Quinta-feira,
Já lá foi a de compadres,
Já lá vem a Terça-feira.
...
Comadre melhor não há-de haver
Que não seja enfermeira,
Ou que saiba então reger,
Ou que mande na prateleira.
...
E outras também o são,
Qual irmã logo em Algés,
Ou na Canada, outra então,
Ou a Santo Amaro, grandes mulhés.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Condestável

Artigo de E. Madeira, comentador oficial deste Jornal, com a sua sugestão de leitura:

"De uma mulher residente em Ourém, terra em Fátima visitada por a Senhora tão da devoção de cavaleiro Nuno Álvares Pereira, chamado de Beato Nuno de Santa Maria, do mesmo, confirmada a intervenção divina.
A residente, idosa, havia consultado vários especialistas que confirmavam que a recuperação da visão – caso chegasse a acontecer – demoraria no mínimo um ano.
Óleo fervente que saltou de uma frigideira – como que em sinal das penas que sofrerão as almas que, neste mundo, declaradamente ou por indiferença ofendem a Deus – fora a causa da desgraça que afligia a mesma senhora. Depois de várias novenas ao Santo Condestável feitas pelo pároco local e familiares, na noite de sete de Dezembro de 2000, a senhora sentiu-se cheia da força da fé, directa e intensamente apelou ao Beato Nuno, tendo beijado uma imagem dele. Sentiu, então, uma paz imensa. Tal paz é o resultado mais comum de devoções mais sentidas ou demoradas; neste estado, não notara ainda que já era capaz de ver plenamente… Assim, quando já menos esperava e vendo televisão, é que dá conta da graça alcançada.
Diversas outras graças divinas envolvendo a intercessão de Beato Nuno encontravam-se já registadas, incluindo as curas de vários tipos de Cancro, porém, os responsáveis pelo processo em causa ao reconhecimento da santidade somente com este caso entenderam de avançar, pela sua exemplar singeleza.
Neste ano, de 2009, aguarda-se que na Terra possa, finalmente, ser proclamada a santidade de Dom Nuno. Talvez, até, não no Vaticano, mas no santuário de Fátima ou em outras partes de Portugal, onde, pela manutenção da independência do nosso Reino, o excelso cavaleiro cristão, Nuno Álvares Pereira, sempre denotadamente pelejou.
Os dias de hoje são de descrédito e de indiferença. Tal proclamação, para quem ainda quiser ver, será uma lança sobre as quimeras dos que – sabe-se lá com que defesa possível – ousam voltar a pensar a integração do nosso país em Espanha… "

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Fevereiro engana as velhas ao soalheiro.


O sol começa a dar um ar da sua graça, mas, lá diz o ditado, Fevereiro engana as velhas ao soalheiro. O tempo é de chuva e é bom que assim seja pois reza a sabedoria popular que água de Fevereiro enche o celeiro.
É mês para podar a vinha e as árvores, aliás, conforme superior recomendação do Almanaque do Camponês e da Borda d'Água.
No mais, "a Fevereiro e ao rapaz perdoa-se quanto faz, desde que o Fevereiro não seja secalhão, nem o rapaz ladrão."

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Excomunhão e Tolerância.

Um excelente artigo do Professor universitário João César das Neves, publicado no Diário de Notícias:
"Um bispo britânico, a quem o Vaticano levantou a excomunhão a 21 de Janeiro, negou publicamente a existência do Holocausto nazi. Isso gerou um coro de protestos contra não o prelado Richard Williamson mas contra o Papa Bento XVI. Até responsáveis como Angela Merkel (3 Fev.) e Mário Soares (DN, 3 Fev.) quiseram censurar. Podemos fazer um exercício curioso analisando esses ataques à luz dos próprios princípios dos críticos. A primeira coisa que salta à vista é a ligeireza. Os que contestam a decisão papal não sabem nada sobre ela. Ignoram o problema, desconhecem o bispo em causa, nem sequer ouviram o que ele disse. Limitam-se a reagir a títulos sensacionalistas e provocadores, que só pretendem agitar as religiões. Assemelham o caso ao genial discurso de Bento XVI na universidade de Ratisbona a 12 de Setembro de 2006, que por acaso também não leram. Se tivessem procurado compreender a circunstância, veriam que ela confirma precisamente os valores que dizem defender e contraria as críticas que se habituaram a dirigir à Igreja. O castigo agora levantado fora imposto automaticamente quando o arcebispo (que Soares graduou em cardeal) tradicionalista Marcel Lefebvre (1905- -1991) ordenou sem autorização quatro bispos a 30 de Junho de 1988. Este foi o cisma que feriu o nosso tempo, e que a Igreja Católica procura sarar há 20 anos. Os papas, como o pai do filho pródigo, têm feito sempre assim em todos os cismas. Agora, após longas e delicadas negociações, respondendo aos pedidos dos mesmos quatro bispos, a excomunhão latae sententiae foi-lhes levantada. Os prelados continuam sem funções canónicas e a sua Fraternidade S. Pio X não tem reconhecimento oficial. Mas foi um avanço importante na via do diálogo. Os políticos, que enchem a boca com tolerância, deviam admirar este difícil e complexo processo. Tanto mais delicado quanto o levantamento do castigo está a ser fortemente contestado pelos integristas radicais, que consideram Roma apóstata, modernista e cismática. Todos os valores da reconciliação, moderação e diálogo estão do lado do Papa, que acaba atacado por isto mesmo pelos autodenominados campeões da liberdade.O segundo aspecto curioso é o tabu. Num mundo que gosta de se anunciar sem preconceitos e repudia a censura, existe um bloqueio drástico sobre o Holocausto. Comentar o horror nazi não pode ser feito fora da versão oficial. São admitidas todas as opiniões, menos essa. O pior é a forma inquisitorial, fanática e abespinhada com que o assunto é enfrentado. Quem nega as câmaras de gás deveria ser tratado com um sorriso pela ignorância e uma gargalhada pela tolice. Hoje o disparate é tanto que não merece mais. Em vez disso todos estes democratas e republicanos, supostamente tolerantes, condenam da forma mais persecutória o Papa por ele terminado o castigo canónico. Parece que Williamson devia ser excomungado de novo, agora não por insubordinação mas por opinião histórica. E Bento XVI também, mesmo não concordando com ele. Os judeus, para quem a questão da shoah não é retórica mas pungente, têm razões legítimas para ficar ofendidos com as declarações do negacionista. Mas eles sabem bem qual a posição do Vaticano sobre esse horror, sucessivamente afirmada e de novo repetida desta vez. Podem criticar Williamson. Não o Papa.A Igreja promove há décadas um intenso e proveitoso diálogo com as outras religiões, como procura reconciliar-se com todos os que ao longo dos séculos foram abandonando a comunhão católica. Os avanços no ecumenismo e relações inter-religiosas constituem aliás um dos maiores e decisivos êxitos da diplomacia e cooperação dos últimos cem anos. Se os políticos, de qualquer região ou orientação, compararem os seus esforços de negociação com os do Vaticano bem podem ficar espantados. Acima de tudo, este caso mostra que neste tempo mediático e superficial ainda há quem olhe ao fundo das coisas, quem considere o valor das pessoas, não dos boatos, quem defenda princípios elevados, não preconceitos apressados. Esse é Bento XVI."

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Europa em apoio ao Santo Padre.

Várias associações e publicações católicas de toda a Europa abriram um site para recolher assinaturas de apoio ao Sumo Pontífice, Bento XVI, pelo seu corajoso gesto de anular a excomunhão dos quatro bispos da Fraternidade de São Pio X.
Desde segunda-feira passada, já foram conseguidas mais de 38.000 assinaturas.
"Somos homens e mulheres, envolvidos em todos os aspectos de nossa sociedade, que desejamos edificar, com Vossa Santidade, a Igreja de amanhã. Esta intenção passa, necessariamente, pela transmissão da fé às gerações futuras, pelo amor à liturgia católica e pela defesa da vida humana", escrevem os autores da carta.
Para entrar na lista, os interessados devem, apenas, juntar o seu nome, idade, País e número de filhos, sendo a mesma transmitida exclusivamente à Santa Sé.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dia de compadres.

É tradição muito nossa,
Que em quinta antes das comadres,
É dia para que se possa
Reunir nossos compadres.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Estado do Vaticano.

É criado, há 80 anos, o Estado do Vaticano. A cerimónia que deu lugar ao mais pequeno Estado do mundo teve lugar a 11 de Fevereiro de 1929, ao Meio Dia, em Roma, com a assinatura do Tratado de São João de Latrão, pelo líder italiano de então, Benito Mussolini, e pelo Cardeal Gaspari, Secretário de Estado e representante do Papa Pio XI.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A Guerra dos Sete Anos.

Chega hoje ao fim, em 1763, a guerra pelas possessões americanas. O acordo assinado em Paris, há 245 anos, com a vitória da Grã-Bretanha, atribui a esta o Alto Canadá e a Florida espanhola, sendo a Luisiana cedida pela França à Espanha.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Viver no Centro da Cidade II.

Aqui fica mais uma sugestão, pequena e acessível, em plena Rua do Frias.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Deus guarde a Rainha.

Celebra hoje, o Reino Unido, o 57º aniversário da subida ao trono da sua estimada Rainha, Isabel II, em 6 de Fevereiro de 1952, com 26 anos de idade, aquando do falecimento de seu pai, o Rei Jorge VI.
Elizabeth II, pela Graça de Deus, Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e de Seus Outros Reinos e Territórios, Chefe da Comunidade Britânica e Defensora da Fé. Que Deus guarde a Rainha!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

As quintas-feiras até ao entrudo.

É tradição bem açoreana. Nas quintas-feiras que antecedem o Carnaval, cultiva-se a amizade e a boa disposição durante a tarde; em uma, os amigos; na de hoje, as amigas; na próxima, os compadres; e, a terminar, as comadres. O anoitecer é dedicado aos serões, onde se louva a amizade e se degustam as bebidas e os doces típicos da época, sejam malassadas, bombas ou coscorões. O importante é que quinta-feira, das quatro que caminham para o Domingo Gordo, é dia de assalto. Por isso, casa de traça que se preze tem um salão grande para que ao assalto não falte o baile. Ao baile, como é bom de ver, vão amigos e amigas, compadres e comadres, que a tarde já se foi e a noite faz-se com todos. Sadiamente, pela madrugada dentro. E o povo, que não é de bailes, também festeja. De forma mais simples, mas, nem por isso, menos genuína. E enquanto restarem três amigos numa Adega, quatro amigas numa Sala, ou um baile em casa própria, aí está a tradição. Pronta a reflorescer quando tudo serenar...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ao velho Coro do Conservatório.

Neste fim de semana, reuniram-se os antigos alunos do Conservatório, velhos amigos, em simpática tarde de Sábado, recordando, nas partituras que o tempo amarelaceu, a arte dos sons como quando a idade era menos de metade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

São Brás na Cidade.

São Brás viveu na Arménia, nos séculos III e IV. Bispo da Santa Igreja, é protector das doenças da garganta, pois reza a História que, de um espinho, terá salvo uma criança. Ainda hoje, sobretudo em Espanha, as mães levam os filhos, neste dia, à Igreja, para que o Martir interceda pela saúde das crianças. Capturado pelos romanos, foi decapitado em 316. Hoje, 3 de Fevereiro, invoca-se a sua memória, sendo dia de festa na sua Ermida em Ponta Delgada, na velha Rua Direita, hoje chamada de Machado dos Santos (republicano sem qualquer ligação à cidade - qual espinha na garganta dos pergaminhos da urbe), Templo trazido do Campo de São Francisco, onde outrora se situava, junto ao Forte de que é patrono.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Solene Pontifical de Sufrágio por Suas Majestades.

Foi ontem celebrado um Solene Pontifical na nossa Sé Catedral, presidido por Sua Excelência Reverendíssima, o Senhor Bispo de Angra e Ilhas dos Açores, no encerramento das comemorações do I Centenário do Regicídio, ao perfazerem-se 101 anos dos trágicos acontecimentos do Terreiro do Paço em que foi barbaramente assassinado o então Chefe de Estado da Monarquia Portuguesa. A Solene Eucaristia foi de sufrágio pelas almas de Sua Majestade o Rei Dom Carlos, de seu filho, o Príncipe Real Dom Luís Filipe e de todos os que faleceram na sequência daquele fatídico acontecimento. Estiveram presentes a Soberana e Militar Ordem de Malta, a Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém, as Santas Casas da Misericórdia de Angra e da Praia, as Ordens Terceiras Franciscana e Carmelita, e as Irmandades do Santíssimo da Sé, de Santa Cruz e Passos e de Nª Sª da Conceição.
A Eucaristia foi brilhantemente solenizada pela Capela da Sé Catedral, sob a direcção do Maestro Duarte Rosa, tendo cantado, durante a liturgia, a Missa Brevis da autoria de D. Pedro IV, bisavô de Sua Majestade o Rei D. Carlos.