segunda-feira, 17 de maio de 2010

2006

2008

2009

Programa das Festas na Rua do Frias.

Domingo de Pentecostes, 23 de Maio
17.00 Missa cantada pela Capela da Matriz, com coroações.
18.00 Procissão da Mudança da Coroa do Espírito Santo da Igreja para a Rua do Frias.
18.30 Recitação do Terço.

Segunda-feira, 24 de Maio
20.30 Recitação do Terço.

Terça-feira, 25 de Maio
20.30 Recitação do Terço.

Quarta-feira, 26 de Maio
20.30 Recitação do Terço.

Quinta-feira, 27 de Maio
20.30 Recitação do Terço.

Sexta-feira, 28 de Maio
20.30 Recitação do Terço.
Entrega das ofertas de Flores e verduras.

Sábado, 29 de Maio
Entrega das ofertas de arroz doce.
20.30 Recitação do Terço.
Bênção da Dispensa.

Domingo da Santíssima Trindade, 30 de Maio
11.00 Cortejo Processional – Ruas: Frias, d’Água, Valverde, Largo da Matriz.
12.00 Missa Solene com Coroação, cantada pelo Coro Litúrgico da Matriz.
13.00 Cortejo Processional – Ruas: António José de Almeida, Machado dos Santos, Pedro Homem, Frias.
14.00 Sopas do Espírito Santo.

A Festa da Santíssima Trindade na Rua do Frias

Em 11 de Junho de 2006, Ano Pastoral do Domingo, dia do Senhor, relembrando aos cristãos a sua importância no encontro com Deus, com a família e com a comunidade, enquanto dia de júbilo e de vida, foi restaurada, no Domingo da Santíssima Trindade, a Festa em honra do Divino Espírito Santo da Matriz de Ponta Delgada, na Rua do Frias, aberta a toda a comunidade de São Sebastião.
Procurando cingir-se ao coração da Festa, o Espírito Santo, dela consta a oração do terço desde o Domingo de Pentecostes, dia em que a imponente Coroa, que se encontra na nossa Igreja, que outrora pertenceu ao chamado “Império dos Nobres”, o Império do centro desta cidade, é trazida para casa dos Mordomos que a recebem, ornamentam e veneram.
No Domingo da Trindade, após na véspera terem sido benzidas a carne, o pão, a massa e o arroz doce que servirão a partilha do almoço comunitário, saem as Insígnias do Divino Espírito Santo em cortejo processional até à Igreja Matriz, participando na Missa Solene do Meio-Dia, onde é coroada uma criança, nesse tão simbólico rito introduzido em Portugal por D. Dinis e pela Rainha Santa Isabel.
Regressando em Festa, a tarde é para as Sopas do Espírito Santo, em mesa corrida na Rua, aberta a todos, partilhando assim o trabalho e a oferta de muitos…
Anos após ano, as pessoas têm primado pela participação, num momento anual de encontro de vizinhanças, primando em ornamentações que dignificam a veneração à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, tão querida dos açoreanos.
As festas do Espírito Santo na ilha de São Miguel tiveram início com o terramoto de 1522 que arrasou Vila Franca do Campo e, por virtude da epidemia de 1673, o povo micaelense, implorando a misericórdia divina, acorreu ao Senhor Espírito Santo, pedindo aos fidalgos que emprestassem as suas Coroas para as colocarem em cima de estrados forrados das melhores colchas.
Em Ponta Delgada, pelo fim da peste, iniciou-se também uma sumptuosa Festa, à qual concorriam as pessoas mais nobres da cidade – por isso ficou a chamar-se a Festa do Império dos Nobres. Logo na Segunda-feira da Pascoela, precedida de uma ruidosa e alegre folia na véspera para afugentar "as malignas enfermidades", era celebrada Missa cantada ao Divino Espírito Santo, na Capela de São Roque da Igreja Matriz, imagem que está associada a esta Festa. Foi nessa primeira Festa, a 9 de Abril de 1673 que, surpreendendo todos os que ali estavam, apareceu uma singela pomba branca que a todos as cerimónias pacientemente assistiu, desaparecendo com terna expressão de contentamento logo depois de terminado o Ofício, ficando essa micaelense expressão de “Festa da Pombinha”.

O Regulamento do Império da Santíssima Trindade da Matriz de São Sebastião

Reavivando as profundas e genuínas tradições da Festa em honra do Divino Espírito Santo da comunidade paroquial da Matriz de São Sebastião da cidade de Ponta Delgada;
Restaurando-se e congregando o Império da Pascoela ou Império dos Nobres, desta cidade, fundado em 1673, e o Império da Ascensão, da antiga zona alta da Paróquia;
Devolvendo ao culto do Divino Espírito Santo o seu cunho espiritual e comunitário;
Atribuindo, à festa do Divino Espírito Santo, a solenidade que lhe é devida;
Dignificando, assim, o Domingo, dia do Senhor, relembrando aos cristãos a sua importância no encontro com Deus, com a família e com a comunidade, enquanto dia de festa e de vida;
Procurando a Festa ser, no coração da cidade, um momento de partilha da comunidade paroquial;

Do Império da Santíssima Trindade

1º É instituído o Império da Santíssima Trindade da Matriz de São Sebastião, adiante designado por Império da Santíssima Trindade.

2º O Império da Santíssima Trindade tem por fim o culto do Divino Espírito Santo.

3º A Festa em honra do Divino Espírito Santo, do Império da Santíssima Trindade, terá lugar na zona da Paróquia onde se realizavam os antigos Impérios da Pascoela e da Ascensão, ou seja, na zona baixa da cidade e na antiga zona alta, compreendidas estas entre a Rua de Santa Luzia e a Rua dos Mercadores, a sul; e a Ermida de Sant’Ana e a Rua do Contador, a norte.

Do Culto ao Divino Espírito Santo

4º As insígnias do Divino Espírito Santo utilizadas na Festa da Santíssima Trindade são a Coroa e a Bandeira da Igreja Matriz.

5º As insígnias do Divino Espírito Santo serão mudadas, para casa dos Mordomos, no Domingo de Pentecostes, após a última Eucaristia celebrada na Igreja Matriz.

6º As insígnias do Divino Espírito Santo ficarão expostas e ornamentadas, em casa dos Mordomos, até ao Domingo da Santíssima Trindade.

7º Do Domingo de Pentecostes às primeiras vésperas da Santíssima Trindade será recitado, em cada dia, o terço, aberto à participação dos fiéis, no espaço em que se encontrarem as insígnias do Divino Espírito Santo.

8º No Domingo da Santíssima Trindade, as insígnias do Divino Espírito Santo serão levadas em procissão à Eucaristia Solene da Igreja Matriz.
9º O cortejo processional será aberto pelos acólitos; seguindo-se as senhoras; a Bandeira do Divino Espírito Santo, levada pelos Mordomos do ano anterior; os homens com as opas; as crianças; e a Coroa, levada pelo sacerdote que presidirá à Eucaristia, e ladeada pelos mordomos.

10º Na Eucaristia Solene será coroada uma criança, convidada pelos Mordomos, a qual acompanhará o sacerdote na celebração e em todo o cortejo processional.

11º Terminada a Eucaristia, o cortejo processional regressará a casa dos Mordomos, acompanhado de toda a comunidade, sendo então a Bandeira do Divino Espírito Santo levada pelos Mordomos do próximo ano.

Da festa comunitária

12º Regressada a procissão a casa dos Mordomos e expostas as insígnias do Divino Espírito Santo à devoção dos fiéis, haverá um almoço comunitário, com Sopas do Espírito Santo.

13º Após o almoço deverão ser desenvolvidas actividades que fomentem o encontro e o franco convívio entre os paroquianos e que se enquadrem no espírito solene e sereno da Festa.

Dos Mordomos e da Organização da Festa

14º Os Mordomos são a família organizadora da Festa.

15º Os Mordomos são escolhidos pelo Pároco, ouvidos os Mordomos anteriores, sendo anunciados no fim da Missa Solene da Santíssima Trindade do ano anterior.

16º Os Mordomos deverão ser escolhidos de entre as famílias com vivência cristã, residentes na Paróquia.

17º Os Mordomos farão a recolha das dádivas para a festa, as quais só poderão ser feitas em géneros.

18º Aos Mordomos cabe o encargo de pedir o necessário apoio logístico e requerer as respectivas licenças.

19º Os objectos doados ao Império são propriedade da Fábrica da Igreja e deverão ser inventariados em livro próprio.

20º Os objectos do Império ficam à guarda dos novos Mordomos, logo após a Festa de cada ano, não devendo ser utilizados para outro fim.

Disposições Finais

21º A interpretação e a integração de lacunas deste Regulamento serão feitas pelo Pároco, ouvidos os antigos Mordomos, dentro do espírito do que aqui se dispõe.

segunda-feira, 3 de maio de 2010




Programa da Semana

04, 05 e 06 de Maio - Terça, Quarta e Quinta-Feiras:
18.00 - Tríduo Preparatório, no Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

06 de Maio - Quinta-feira:
21.30 - Recital de Canto Gregoriano, pela Capela Gregoriana Psalterium, de Coimbra, na Igreja do Colégio.

07 de Maio - Sexta-feira:
21.00 - Inauguração da iluminação e arraial no Campo de São Francisco.

08 de Maio - Sábado:
09.00 - Missa no Santuário
12.00 - Homenagens diante do Convento da Esperança
16.20 - Mudança da Imagem e Te Deum.
Arraial.

09 de Maio - Domingo:
00.45 - Mudança da Imagem para a Igreja de São José
06.00 - Alvorada e Eucaristia da Grande Peregrinação da Ilha de São Miguel
10.15 - Saída da Imagem da Igreja de São José para o adro do Santuário
10.30 - Solene Concelebração Eucarística, no Adro do Santuário, presidida pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, e acompanhada por um coro misto regido pelo Maestro José Graça
15.45 - Saída do Guião da Procissão que percorrerá o trajecto habitual
16.30 - Saída da Imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Arraial.

10 de Maio - Segunda-feira (feriado municipal):
11.00 - Missa Solene presidida por D. Aurélio Granada Escudeiro
14.30 - Arrematações.
Arraial.

13 de Maio - Quinta-feira:
18.00 Encerramento - Missa Solene em honra da Madre Teresa da Anunciada, presidida pelo Reitor, Monsenhor Agostinho Tavares.
Arraial.

A Ilha na Cidade: As Festas do Senhor

Chegaram as festas. Por toda a Ilha, as festas do Senhor marcam este tempo, envolto em alegria e assente no entusiasmo que só os açoreanos sabem pôr nestas coisas.
Cheira a festa na cidade: misturam-se acordes, que enchem de música a harmonia do Campo, com vozes açoreanas marcadas pelo timbre da diáspora.
Assim são, ano após ano, as nossas grandes festas: de um momento para o outro, quase sem darmos por isso, a Ilha cabe toda no centro da cidade.
São Miguel em peso, acompanhado dos seus visitantes destes dias, corre serenamente as artérias que entrelaçam a cidade. Como se tudo tivesse parado. Como se a cidade se tivesse reencontrado consigo própria pela primeira vez.
Como daquela vez, em 1700, em que os nossos antepassados paralisaram a cidade trazendo à Rua a mesma Imagem de Cristo cujo olhar se mantém constante novidade passados 310 anos.
E, sempre que chega a festa, afinal há outra cidade. A força da nossa identidade, Ponta Delgada genuinamente, esmaga por uns dias a sua aparente condição de subúrbio da aldeia global.
Afinal o que temos de maior e de melhor não é cópia de ninguém, não é moda em nenhum outro lado nem deixa de o ser, não faz parte de nenhum programa político, nem está ao serviço do poder. Existe porque existe Ponta Delgada. Sem as Festas do Senhor Santo Cristo poderia certamente esta cidade ter o mesmo nome, mas não estaríamos a falar do mesmo lugar.
É bem a prova de que a qualidade de vida de uma cidade, em muitos aspectos, não depende de mais nada que não da sua própria gente. Muitas vezes nas pequenas coisas, algumas que já só respiram de forma pura nas pequenas comunidades, e a que nós, por uma razão ou por outra, deixamos de dar espaço ou deixamos que as deturpassem, nesta constante complacência com a substituição do distinto pelo mediano. Nos pequenos gestos, na caridade, na fraternidade que anima as vizinhanças da velha cidade, em tanta coisa simples, podemos certamente construir uma cidade mais feliz.
E é por isso que a sumptuosidade da festa exterior não ofusca de modo algum a magnificência da interioridade e do encontro de cada homem e mulher com Deus e consigo próprio. As festas constituem um património de vivência em comunidade, numa demonstração pública de fé.
Só há festa porque os homens crêem que festejam Deus na Terra. Com grande solenidade. Com formas diferentes de encarar o acessório. Dirigida a todos. Mesmo àqueles que, sem terem ainda descoberto a fé, participam na festa por dever de ofício. A ninguém aquele olhar passará despercebido.
As festas do Senhor são a conciliação verdadeira da fé e da tradição. À boa maneira do nosso povo, alheio a delongas filosóficas de fúteis conclusões, mais interessado na busca do verdadeiro Bem do que em reflectir no acessório qual é a verdade mais ao jeito de cada um.
Celebramos Deus exteriorizando a fé na forma como o aprendemos de quem nos antecedeu. Vivendo-a.
No nosso tempo e com aqueles que nos rodeiam.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Semana...

01 de Maio - Sábado
Dia de São José Operário - Feriado
18.00 - Ensaio do Coro da Prioral (Repertório de São Miguel).
Noite - Visita aos quartos onde estão ornamentados os Santos Patronos.

02 de Maio - Domingo
Festa de São Miguel Arcanjo
11.00 - Ensaio do Coro da Prioral com a Capela da Matriz de Ponta Delgada.
12.00 - Missa Solene.
18.00 - Procissão.
Noite - Arraial.

03 de Maio - Segunda-Feira
Festa de São Miguel Arcanjo - 1ª Oitava
11.00 - Missa Solene cantada pelo Coro da Prioral.
13.00 - Cortejo de Oferendas .
21.00 - Concerto da Banda Lealdade.

As Festas do Patrono da Ilha

São Miguel Arcanjo, Patrono desta nossa Ilha, é festejado no Domingo mais próximo ao dia 8 de Maio, que não coincida com a Festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Desde os primórdios escolhido para Protector da maior Ilha dos Açores, o Chefe dos Anjos acolhe todos aqueles que, nestes dias, visitam Vila Franca do Campo.
A singeleza do acontecimento relembra a grandiosidade das nossas tradições. À boa maneira dos festejos em honra dos Patronos de cada uma das nossas Cidades, Vilas e Freguesias, a homenagem secular ao Patrono da Ilha cumpre-se conciliando a grandeza do Divino com a simplicidade da mensagem: Quis Ut Deus?
A beleza da tradição passa assim pela junção, num mesmo acontecimento, ano após ano, de gerações e gerações, de antes e, é de crer, de anos que de hoje ainda distam, como se o tempo fosse desafiado…
Esta é uma das maiores características de todas estas festas que a partir de agora e até ao fim do Verão vão acontecendo por estas nossas Ilhas: fazem-nos pensar na nossa curta existência e no significado da tradição em si mesma. Não é criação de ninguém, mas vivência de gerações.
No caso das festas de São Miguel Arcanjo, é a sua singularidade que as torna numa das mais ricas tradições desta nossa Ilha. Não apenas por ser o Padroeiro da Ilha. Sobretudo pela forma como é organizada a sua procissão e os seus preparativos.
Esta é a única procissão em Portugal que conserva, durante estes séculos que nos separam do fim da Idade Média, o modelo da organização por artes e ofícios.
Cada profissão homenageia, nesta festa, o seu Santo Patrono.
Cada Imagem é ornamentada numa das casas dos do ofício e aí fica exposta na véspera da Festa. Ao longo do Domingo, os homens de cada arte acompanham o seu protector até à Igreja, participando, dessa forma, na Procissão de São Miguel Arcanjo, presidida pela majestosa imagem que aqui chegou no século XVIII.
S. Pedro Gonçalves, com os pescadores; S. Crispim, com os sapateiros; S.to Antão, com os lavradores; N.ª Sr.ª do Egipto, com os arrieiros; S.ta Catarina, com os barbeiros; São João Baptista, com os pedreiros; S. José, com os carpinteiros; S.to António, com os oleiros; São Nuno Álvares Pereira, com as profissões liberais; e N.ª Sr.ª da Paz, com os militares.
Hoje que os tempos são outros, algumas das profissões participam na Procissão com poucos. As profissões vão mudando e as mudanças fazem parte do mundo. Pena é que não faça parte do nosso mundo alguma preocupação por se assistir ao abandono por completo de alguns ofícios. Não por saudosismo, apenas porque as artes de ontem, hoje continuam a ser uma riqueza.
Data de aniversário da Banda Lealdade, herdeira do Hino que só nas suas mãos tem aquele magnífico timbre marcial. Hino que, de manhã, é tocado no também aniversariante Órgão de Tubos, que acompanha o Coro da Prioral na sua Festa mais emblemática, em dia de uso da batuta dos velhos Mestres de Capela, com várias composições no Canto deste, entre as quais a do Breve concedido à Ilha de S. Miguel por S.S. Pio IX, em 1872.
Dia de visita da Capela da Matriz de Ponta Delgada ao Coro Alto da Vila, a acompanhar a Missa Solene, e, à Casa de São Domingos, ao almoço da Festa…

Encontro 2010

Assim se chama o novo blogue do Padre Nemésio Medeiros, Prior da Matriz de Ponta Delgada. Actualizado quase diariamente com reflexões muito actuais sobre a nossa vivência cristã e colectiva, merece a visita de quem gosta de ver o mundo pela positiva. Aqui fica a nossa saudação pela oportuna iniciativa!

http://www.encontro-2010.blogspot.com/

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sevilha

Viajar no tempo é descobrir mundos onde o que pensamos como passado ou futuro é presente bem vivo. Assim é Sevilha. Jovialmente tradicionalista ou, se preferirmos, tradicionalmente jovem. Respira-se um mundo edílico com um vaidoso toque de perfeição.
Tudo é Belo: a alma do povo, a simpatia, a imperial cidade, a Fé, a festa permanente, as pessoas… Gente bonita, aperaltada, educada e bem-disposta. Segura de si. Aberta ao mundo e aos outros. Como é isso possível? Que protecção tem esse povo para não merecer, como os demais, uma nova geração maioritariamente transvestida de piercings e cabelos sebosos?
Será apenas da sua auto-estima? Do seu brio ou cultura? Da sua Fé?
Afinal, nesse grandioso recanto do mundo, a Catedral não se enche com cabelos brancos como as Igrejas dos quatro cantos da nova evangelização. É de gente nova que se compõem as assembleias litúrgicas que acorrem às solenidades da centenária construção. Elas de véu. Todos de boa voz, cantando em uníssono o Pater Noster entrelaçado nos magníficos acordes do sumptuoso Órgão.
Não fora a inigualável companhia do Padre Saldanha, aí concelebrante, e certamente não teria tido a alegria de, juntamente com o grande colega e amigo da velhinha Escola de Angra, Luís Leite, ter vivido no Coro a riqueza da Semana Santa, dirigido por um experiente Cónego, acompanhado ao Órgão por um admirável organista, claro, também ele sacerdote, que, na sua modéstia, me contava com honra ser titular daquele magnífico instrumento há 51 anos.
Na mesma Catedral à volta da qual, tantas vezes perdido, passeou toda a Semana o estimado cunhado Edgardo. Na mesma em que atravessam em penitência as 60 Procissões que se realizam naquela Semana Maior. De madrugada, ou noite dentro, elas percorrem a cidade durante toda a Semana, saindo das diversas Igrejas e capelas da urbe. E se logo à primeira impressão fazem estremecer os sentidos pela opulência e beleza, ou pela envolvência da Música que irrompe a noite numa alegria em choro, maior agitação causam ao espírito pela devoção que transbordam os milhares que as acompanham, anonimamente, encapuçados de nazarenos, com belíssimos trajes que lhes tapam a feição em mais de oito horas de caminhada contínua pela noite fora, muitas vezes até descalços. Assim também as três dezenas que levam em turnos o andor, completamente escondidos debaixo dele, transportando em tonelada e meia de preciosa arte um sinal bem vivo de devoção, Fé e Caridade, pois que todas estas Irmandades se destinam, durante todo o ano, ao auxílio aos mais desfavorecidos.
E, pelas ruas, a cidade agita-se. Sem os velhos preconceitos que continuam a habitar entre nós com o mesmo à vontade que o estilo barato das novelas brasileiras. Sem os novos puritanismos da sociedade dita moderna.
As tascas enchem-se. Abarrotam. E não é de jovens imberbes em bebedeira fácil, nem de maridos rabugentos de botequim de dia inteiro.
Enchem-se do Povo. Do mesmo que enche a Catedral e as Procissões. As touradas e as festas. Os passeios de fim de tarde e a vida da cidade. De homens e mulheres de todas as idades e condições. Conversando, petiscando as omnipresentes tapas, degustando os óptimos vinhos da Região. Sem que se ouçam brigas futebolísticas ou o fanático debate político que persegue o nosso tempo.
Uma lição de vida a quem acredita que é na Identidade de um Povo que está a sua riqueza. Acompanhando o tempo sem nos reduzirmos a caricatura das ilusões que nos emborcam os media…

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Irró, ó meu Santo Irró.

É já Domingo, na velha Capital, a festa de São Pedro Gonçalves, chamada de festa do Irró, em alusão ao grito dos homens do mar a puxarem os seus barcos para terra, avenida acima, para serem devidamente ornamentados em homenagem ao Santinho.
Domingo, sai à Rua a Procissão, pelas 15.00, entrando na Igreja de São Miguel para a Missa de Festa, cantada pelo Coro da Prioral Matriz e celebrada pelo conterrâneo Padre Norberto Brum, prosseguindo, por entre magníficos tapetes, de regresso à hoje também sua Ermida que, santamente, divide com Santa Catarina, sua titular, desde que a sua centenária Capelinha, junto à Praia do Corpo Santo, a que deu o nome, foi ao chão, no início do século XX, com o peso do tempo.

Com velas de esperança,
A navegar,
O cais da vida
Buscamos sem cessar.

Ao Porto da Glória
E nas tempestades
Conduz os homens
São Pedro Gonçalves.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Semana Maior

Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam.
Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquiatatem meam.
Amplius lava me ab iniquitate mea: et peccatto meo munda me.
Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est semper.
Tibi soli peccavi, et malum coram te feci: ut justificeris in sermonibus tuis, et vincas cum judicaris.
Ecce enim in inquitatibus conceptus sum: et in peccatis concepit me mater mea.
Ecce enim veritatem dilexisti: incerta et occulta sapientiae tuae manifesti mihi.
Asperges me, Domine, hyssopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor.
Auditui meo dabis gaudium st laetitiam: et exsultabunt ossa humiliata.
Averte faciem tuam a peccatis meis: et omnes iniquitates meas dele.
Cor mundum crea in me, Deus: et spiritum rectum innova in visceribus meis.
Ne projicias me a facie tua: et spiritum sanctum tuum ne auferas a me.
Redde mihi laetitiam salutaris tui: et spiritu principali confirma me.
Docebo iniquos vias tuas: et implii ad te convertentur.
Libera me de sanguinibus, Deus, Deus salutis meae: et exsultabit lingua mea justitiam tuam.
Domine, labia mea aperies: et os meum annuntiabit laudem tuam.
Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique: holocasutis non delectaberis.
Sacraficium Deo spiritus contribulatus: cor contritum, et humiliatum, Deus, non despicies.
Benigne fac, Domine, in bona voluntate tua Sion: ut aedificentur muri Jerusalem.
Tunc acceptabis sacrificium justitiae, oblantiones, et holocausta: tunc imponent super altare tuum virtulos.
Gloria Parti, Filio, et Spiritus Sancto.
Sicut erat in principo, et nunc et semper, et in saecula saeculorum. Amen

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Dia Mundial da Juventude em São Miguel

No Domingo de Ramos já é tradição celebrar-se o Dia Mundial da Juventude nesta Ilha com grande dimensão, acolhendo cada Ouvidoria, em cada vez, as centenas e centenas de jovens que, de toda a Ilha, aí acorrem.
Em prol do maior dos ideais, em nome do verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, provando que a Igreja continua viva como a de sempre, por Fé, por partilha ou por simples motivação, os jovens católicos de São Miguel mostram força, dinamismo, entusiasmo e dedicação, e que nem todos andam “à rasca”: por não terem um Ideal, um rumo para a sua própria vida, um desafio que os motive, senão mesmo uma família que os eduque.
Dão provas de que estão longe de ser apáticos, com certeza que os há, até em abundância maior do que a desejável, mas a capacidade de criar e executar algo que os motive fica bem patente nos tantos e tantas que, para além da sua participação viva, ali levam canções, teatros e coreografias, com qualidade e de forma saudável.
A grandiosidade do momento mostra ser a Igreja a única que consegue mobilizar uma tão rica massa de juventude.
Ter personalidade não é ser uma cópia do estereotipado “jovem radical”. É procurar realização como pessoa e ter a coragem de ser feliz.
De anos a anos cruzo-me com este dia e, embora não sendo um entusiasta do “festival litúrgico”, impressiona-me sempre o dinamismo que o dia consegue congregar.
Lembro-me de, na Lagoa, em 1990, me ter cabido a regência do Coro dos Seminaristas; em 1992, ter ensaiado o grande Coro na Ribeira Grande, com o Coro Jovem da Matriz de Ponta Delgada e centenas de jovens daquele concelho; em 2001, ter integrado o Júri do Festival da Canção, em Vila Franca; em 2009, também em Vila Franca, ter composto a singela Música para o Festival novamente em Vila Franca, embora já desabituado do estilo; e, em 2010, ser chamado a, passados 18 anos, voltar a dirigir o Canto tentando dar solenidade ao dia e o devido cunho litúrgico ao momento.