terça-feira, 11 de novembro de 2008

No rescaldo de São Martinho

Passados três dias sobre a comemoração oficial da respeitável Irmandade de São Martinho da Adega das Casas do Frias, é chegado o dia litúrgico do Santinho, 11 de Novembro. Aqui fica a imagem do popular soldado romano a partilhar a sua capa com um necessitado mendigo, num apelo actual ao nosso sentido de inter-ajuda.
À generalidade dos confrades de São Martinho (uma vez que o confrade que exerce o cargo de Batoqueiro continuará a celebração durante todo o ano), em jeito de despedida das comemorações de 2009, ficam os nove cravos que ornamentam a imagem, representando, em cada um, cada uma das nove famílias dos confrades, a alegria da partilha e o valor da amizade.

4 comentários:

Frederico disse...

Viva o batoqueiro. O homem sabe o que faz e partilha a sábia arte de conservar o vinho para o ano inteiro.
Da minha parte, o meu muito obrigado, reconhecendo e retribuindo com os valores que unem a confraria.

GUSMÃO disse...

Uma carta recebida na redacção de JP Constância:


"Caríssimos Confrades

Em verdade, verdade vos digo que a tradição se cumpriu, uma vez mais.

E, uma vez mais, os nossos Anfitriões foram inexcedíveis, em palavras
e actos...

O resto, foi o que foi... O Provador esteve à altura da incumbência e
demonstrou ser, além de tudo, um exímio trovador... João Bento
Sampaio, homem de grande envergadura, esteve, como sempre, igual a si
mesmo, um espírito grande, de humor rebuscado e de prosa emaranhada.
Sampaio jr., marialva de vocação, seguiu as pisadas canoras de seu pai
e cantou baixo, muito baixo, mas não disse coisa com coisa. Cláudio
afirmou-se como verdadeiro descendente de Dionísio (Ó Deus Baco) e
provou ser digno do título de preparador-vitalício-do-precioso-líquido-
biológico . Xavier, mordaz e atento, não perdeu oportunidade para
aplicar as suas farpas. Já Tibério mostrou-se afável e apaziguador e
fez , como sempre, um discurso capaz de fazer chorar uma valquíria....
Poético e retórico, sabe usar as palavras como se fossem lingerie,
criando um discurso redondo, cheio de curvas sinuosas e volúveis, num
registo que, estou certo, tem efeito hipnótico sobre as moçoilas mais
incautas. Na cantoria, valeu-lhe o trovador...

O irmão Edgar foi merecedor do cognome de O Sóbrio. Andou esquivo e
mal se fez notar, mesmo quando, com o seu distorcido humor non-sense ,
cantou “Um comunista voava, voava...”, numa alusão pouco clara à queda
do imperialismo soviético e à fantasia marxista de igualdade.

A mim, nem o francês me safou... devia ter optado pelo Je ne regrette
rien... quem sabe para o ano.

Bem haja a todos por mais uma noite memorável.

JP



PS – dos petiscos só me lembro das lapas e de umas batatas doces
dignas de manjar real. Depois, foi a amnésia total. Não, peço
desculpa, esquecia-me (maldita amnésia!) das suculentas tapas quentes
de Dona G. Gusmão, que foram um bálsamo naquela hora tardia..."

oldl disse...

As palavras foram muitas. Deslumbrou-me, mais uma vez, o valor sublime de toda a Amizade, confrades e famílias, e o rumo brilhante das intervenções, palavras sentidas de quão cristãos convertidos, bem como, os manjares e o belo sabor de terras de além-cidade. Ahhh... e o encontro de culturas transmitido pelo sentir apaixonado das vozes e da vida!
Obrigado.

Frederico disse...

Bem, o caldo vai entornar!
Então não é que o confrade Constância vem agora fazer-se passar por Deus Baco e julgar todos os confrades (esqueceu-se de um!) em jeito de omnisapiência psico-sociológica.
Temos de reunir a confraria para esclarecer alguns pontos e aproveitar para beber, não provar, do "cheiro wine".