sexta-feira, 20 de março de 2009

O futuro da Igreja: no meio está a virtude.

A Igreja tem promessas de eternidade, dadas pelo próprio Cristo, o qual prometeu a sua existência até ao fim dos tempos. Enganam-se por isso aqueles que vêem o seu fim na crise em que a Igreja foi mergulhando desde há algumas décadas e que só agora, para os mais atentos, começa a dar sinais de voltar ao rumo. Aliás, pela primeira vez, em muitos anos, os católicos aumentaram no mundo, passando, em 2007, a 1 bilião e 147 milhões aproximadamente, sendo, em 2006, 1 bilião e 131 milhões. E é de registar o aumento sobretudo na Europa, ainda que na ordem dos 0,8%. Do mesmo modo, o número de sacerdotes começa a aumentar, tendo passado de 405.000 para 408.000, no ano de 2007.
Mas além destes, a Igreja tem dispersas algumas comunidades que, opondo-se aos excessos do Concílio, perderam a plena comunhão. A maior delas é a Fraternidade de São Pio X, a qual tem actualmente 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 irmãos, 164 irmãs e milhares de fiéis, estando em franco crescimento, sobretudo no centro da Europa.
O Papa, convencido de que a Igreja existe para converter o mundo e não para se tornar igual a ele (aquilo a que gostam de chamar os tempos de hoje), querendo voltar a unir os mais sensíveis à Tradição com a "grande Igreja", pediu aos bispos do mundo inteiro a sua colaboração na resolução deste problema, através da Congregação para a Doutrina da Fé. Esta é uma das novidades da carta que o Papa lhes dirigiu, explicando como vai enfrentar a possível integração dos lefrebvristas na plena comunhão da Igreja, e que comportará, em último termo, uma reflexão conjunta sobre o Concílio Vaticano II.
Certamente o ponto de equilíbrio entre a sã Tradição, que certos sectores ousam despresar, e a nova linguagem do Concílio, que os tradicionalistas ainda não conseguiram abraçar.
«Desta meditação todos devemos tirar um novo e eficaz convencimento da necessidade de ampliar e aumentar essa fidelidade, rejeitando totalmente interpretações erróneas e aplicações arbitrárias e abusivas em matéria doutrinal, litúrgica e disciplinar», diz claramente o Santo Padre, anunciando assim o fim do regabofe que resulta de cada um dizer o que bem lhe apetece, achando-se sempre o novo messias e o verdadeiro salvador do mundo, ele, muitas vezes o padre, acima de séculos de história, de milhares de estudos, de milhões de almas crentes de tantos e tantos anos, ele, normalmente um cavalheiro de medíocres notas no Seminário, fracos dotes oratórios e escassa bagagem cultural, ele, chegou agora e só ele sabe, só ele é a verdade...
Já João Paulo II pediu aos teólogos e especialistas «um novo empenho de aprofundamento, no qual se esclareça plenamente a continuidade do Concílio com a Tradição, sobretudo nos pontos doutrinais que, talvez pela sua novidade, ainda não foram bem compreendidos por alguns sectores da Igreja».
Bento XVI deixou mesmo o desafio: «Para alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja. Quem quiser ser obediente ao Concílio, deve aceitar a fé professada no decurso dos séculos e não pode cortar as raízes de que vive a árvore.»
A Fraternidade de São Pio X já veio dizer, pela voz de Bernard Fellay, o seu Superior, que "longe de querer parar a Tradição em 1962, nós desejamos considerar o Concílio Vaticano II e o ensino pós-conciliar à luz desta Tradição que São Vicente de Lérins definiu como “o que foi querido sempre, por toda a parte e por todos” (Commonitorium), sem ruptura e num desenvolvimento perfeitamente homogêneo. É assim que nós poderemos contribuir eficazmente à evangelização pedida pelo Salvador. (cf. Mateus 28,19-20)" assegurando a sua vontade de abordar as questões doutrinais reconhecidas como “necessárias” pelo Decreto de 21 de Janeiro, "com o desejo de servir à Verdade revelada que é a primeira caridade a manifestar a respeito de todos os homens, cristãos ou não. Colocamos estas questões doutrinais sob a proteção de Nossa Senhora de Toda Confiança, com segurança de que ela nos obterá a graça de transmitir fielmente o que recebemos, “tradidi quod et accepi” (I Cor. 15,3)."
Resolvendo assim a desunião da Igreja, o Santo Padre, sabiamente, recoloca-a no ponto de equilíbrio que falta ao mundo. Novelas toda a gente tem em casa. O homem, sobretudo o dos tempos modernos, precisa de encontrar na Fé Algo muito acima.
E aí a missão é doutrinar e não a constante perda de tempo a questionar tudo, dando implícita razão aos adversários da doutrina. Como ensinou Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja, Roma locuta, causa finita, ou, em vernáculo, o mesmo é dizer, Roma falou, encerrada a questão.
Se cada um se limitasse a, pelo menos, fazer bem a pequena parte que lhe está atribuída, quanto mais longe não iríamos!

3 comentários:

GUSMÃO disse...

Dia 21 de Março festeja o seu aniversário o jovem Padre Emanuel Valadão. Os nossos parabéns.

JBS disse...

Se a Roma antiga faliu, e encerrada que foi a questão, vale agora o somatório das partes - que cada um faça a sua.
Da parte que me cabe, quero festejar a chegada da nossa estimada prima Vera.
Cuidem dessa boa parente, todos os anos cá caída.

GUSMÃO disse...

Ó Bom Bento, não sua Santidade, XVI de ordem, este mesmo, Bento Sampaio, Roma não tem falências: é Eterna!